Araújo, E.; Duque, E.; Franch, M. & Durán, J. (eds) (2014) Tempos Sociais e o Mundo Contemporâneo - As crises, As Fases e as Ruturas Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho . ISBN 978-989-8600-23-3 A fase da iniciação científca e a ruptura no tempo - destino. Esboço de uma problemática sobre a preparação e expectativas de carreira na investigação científca 1 AdriAno de oliveirA 2 ; emíliA rodrigues ArAújo 3 & lucídio BiAnchetti 4 Introdução No Brasil 5 é bastante recente a iniciação científca (IC) destinada a alunos da Educação Básica (EB) 6 . O processo de implementação desta “fase” no percurso de formação só pode ser compreendido – bem como aquilo que queremos caracterizar com a expressão “rutura tempo-destino” – tendo em conta, por um lado, a implemen- tação da pós-graduação (PG) stricto sensu e, por outro, a forma como esta foi sendo avaliada e fnanciada. É ainda relevante atender à inscrição da formação de mestres e doutores num determinado “regime” de tempo ou, por outras palavras, no “Tempo Médio de Titulação” (TMT), tal como está legislado. A “Campanha de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior” (CAPES) vincu- lada ao Ministério de Educação foi criada em 1951. Porém, só começou a funcionar em pleno, mais de 15 anos depois, em resultado das expectativas depositadas pelo regime militar (1964-1985) sobre a PG, no sentido de que esta contribuísse para a consecução das metas de um “Brasil grande”. Mas, é somente com a transformação da CAPES em Fundação, no início da década de 1990, que esta passa a contar com uma autonomia que extrapola a constitucionalmente prevista autonomia universitária, ainda não efetivada até os dias atuais. Com efeito, a CAPES, ao assumir a respon- sabilidade de elaborar os Planos Nacionais de Pós-graduação (PNPGs), a partir da década de 1970 e de fazer corresponder o fnanciamento à avaliação, no fnal dos 1 Texto da comunicação. 2 Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina/Brasil. Doutorado sanduíche na Universidade do Minho/CECS/Portugal com fnanciamento pela CAPES 3 Professora e investigadora da Universidade do Minho/CECS//Portugal 4 Doutor em História e Filosofa da Educação (PUC/SP), Professor no Centro de Ciências da Educação da Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil. Investigador 1C do CNPq. 5 A desigualdade social, económica e cultural continua a ser determinante para o nível de acesso, permanência e sucesso esco- lar dos alunos oriundos classe menos abastadas. Além disso, nos últimos anos, a ampliação do acesso ao ensino fundamen- tal e médio, “não eliminou os problemas relacionados à qualidade do ensino” (Zago, 2006, p. 232), moldando as expectativas dos jovens em relação à possibilidade de entrarem e concluírem o ensino superior. 6 A Educação Básica no Brasil abrange a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Médio. A primeira compreende a esco- larização dos zero aos cinco anos, a segunda do 1º ano ao 9º ano e a terceira é de três anos. Comparando com Portugal, a Educação Infantil equivale à Educação Pré-escolar, a segunda ao Ensino Básico que é de 9 anos e a terceira ao Ensino Secundário que compreende, igualmente, três anos. pp. 336 -351