TECNO-LÓGICA, Santa Cruz do Sul, v. 14, n.1, p. 5-10, jan/jun. 2010 5 DETERMINAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DE TOXICIDADE AMBIENTAL DO PERCOLADO DE UM ATERRO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS PERIGOSOS (ESTUDO DE CASO) Daniela Dal Molin 1 , Adilson Ben da Costa 2 *, Alexandre Rieger 2 , Daniel Pra 2 , Eduardo Alexis Lobo 2 1 Curso de Química Industrial da Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC / Santa cruz do Sul, RS, Brasil; 2 Departamento de Biologia e Farmácia da Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC / Santa Cruz do Sul, RS, Brasil; *E-mail: adilson@unisc.br Recebido em 25 de janeiro de 2010 Aceito em 31 de março de 2010 RESUMO Este estudo teve como objetivo determinar as características de toxicidade ambiental do resíduo percolado do aterro de resíduos industriais perigosos de uma central de resíduos industriais do estado do Rio Grande do Sul. As características físicas, químicas, de ecotoxicidade com Daphnia magna e toxicidade e mutagenicidade com Allium cepa foram determinadas. Os resultados indicaram características físicas e químicas dentro dos limites estabelecidos para efluentes tratados e ausência de ecotoxicidade aguda. Contudo, foi observada uma frequência significativamente aumentada de micronúcleos (P < 0,01) na raiz em crescimento, exposta ao percolado comparado com o controle, sugerindo um efeito genotóxico deste resíduo, apesar de não apresentar alterações significativas no índice mitótico e crescimento radicular. Palavras-chaves: Toxicidade ambiental, Resíduos industriais perigosos, Percolado. 1. INTRODUÇÃO O crescimento populacional das sociedades de consumo vem contribuindo com a expansão do processo industrial e acarretando um aumento considerável na produção e complexidade dos resíduos sólidos industriais. Assim, devido à diversidade de substâncias potencialmente tóxicas introduzidas nos processos industriais, a destinação adequada dos resíduos sólidos é de fundamental importância para evitar o agravamento de problemas ambientais. O Aterro de Resíduos Industriais Perigosos (ARIP) é o local correto de disposição final de resíduos potencialmente perigosos à saúde e ao meio ambiente, cuja implantação envolve fatores como a caracterização geográfica, topográfica e hidrogeológica da área, e requer um elaborado projeto de construção e operação, além da aprovação pelo órgão de controle de poluição ambiental competente. Durante o processo de estabilização dos resíduos no ARIP, seja pela decomposição da matéria orgânica, pela umidade dos resíduos dispostos ou mesmo por infiltração da água da chuva, ocorre à formação do percolado, que se caracteriza por ser um efluente de complexa composição [1]. No monitoramento destes resíduos, a sua caracterização física, química e biológica (microbiológica), é, a bastante tempo, utilizadas como parâmetros de avaliação, como por exemplo, pela resolução no 357/2005 do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, que dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes[2]. Contudo, o artigo 8º, § 3º, desta resolução diz que a qualidade dos ambientes aquáticos poderá ser avaliada por indicadores biológicos, quando apropriado, utilizando-se organismos e/ou comunidades aquáticas. Ainda, no mesmo artigo, § 4º, cita que as possíveis interações entre substâncias (responsáveis por efeitos sinérgicos) bem como a presença de contaminantes não listados nesta resolução, passíveis de causar danos aos seres vivos, deverão ser investigadas utilizando-se ensaios ecotoxicológicos ou toxicológicos. No estado do Rio Grande do Sul, além da resolução nº 128/2006 do CONSEMA – Conselho Estadual do Meio Ambiente [3] que dispõe sobre a fixação de padrões de emissão de efluentes líquidos, a resolução nº 129/2006, também do CONSEMA [4], dispõe sobre a definição de critérios e padrões de emissão para toxicidade de efluentes líquidos. Esta última descreve em seu artigo 9º que os efluentes lançados não devem causar efeito tóxico agudo ou crônico a organismos-teste pertencentes a pelo menos três níveis tróficos diferentes, de acordo com a vazão de lançamento de cada empresa e tipo de efluente. De fato, o monitoramento tradicionalmente realizado através da avaliação de parâmetros físicos e químicos deve ser complementado com o biomonitoramento. Os parâmetros biológicos fornecem informações sobre as respostas dos organismos frente a modificações ambientais. Neste sentido, vários são os autores que têm apontado para a necessidade da inclusão do monitoramento biológico para uma real avaliação da qualidade ambiental [5-7]. brought to you by CORE View metadata, citation and similar papers at core.ac.uk provided by Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC): Portal de periódicos on-line