Agropecuária Científica no Semiárido Centro de Saúde e Tecnologia Rural http://revistas.ufcg.edu.br/acsa/index.php/ACSA/index ISSN: 1808-6845 DOI: http://dx.doi.org/10.30969/acsa.v15i1.995 Recebido em 15/10/2018; Aceito para publicação em 30/04/2019 1 Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios 2 Universidade Estadual Paulista 3 Proterra Consultoria Agronômica *email: ihfische@apta.sp.gov.br Eficiência de radiação UV-C no controle da antracnose e da podridão peduncular em abacate ‘Hass’ Ivan Herman Fischer 1* , Maria Cecília de Arruda Palharini 1 , Elisangela Marques Jeronimo 1 , Maria Márcia Pereira Sartori 2 , Rosa Maria Valdebenito Sanhueza 3 RESUMO: Objetivou-se avaliar o efeito de doses de radiação UV-C na ocorrência de antracnose e de podridão peduncular em abacates ‘Hass’ com e sem inoculação com Colletotrichum gloeosporioides e Lasiodiplodia theobromae, em pós-colheita. A região peduncular dos frutos foi submetida às doses de radiação UV-C de 0,36; 0,48; 0,60 e 0,72 kJ m -2 , enquanto a região equatorial foi exposta às doses de 0,34; 0,45; 0,56 e 0,67 kJ m -2 . Após o armazenamento dos frutos a 6 ᴼC por 21 dias e mais seis ou oito dias a 21 ᴼC, avaliou-se a incidência das doenças em frutos não inoculados e a incidência e a severidade da antracnose e da podridão de lasiodiplodia em frutos inoculados, medindo-se o diâmetro da lesão de antracnose na região equatorial e o comprimento da podridão de lasiodiplodia a partir do pedúnculo. Nos tratamentos sem inoculação, foram analisadas as variáveis firmeza da polpa, sólidos solúveis e acidez titulável. Os resultados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey (5%). De maneira geral, as doses de radiação UV-C avaliadas não reduziram a ocorrência das doenças nos frutos com ou sem inoculação dos patógenos, assim como não afetaram as variáveis físico-químicas do abacate ‘Hass’. Palavras-chave: manejo de doenças, Persea americana, Colletotrichum, Lasiodiplodia Efficiency of UV-C radiation in the control of anthracnose and stem rot in avocado 'Hass' ABSTRACT: The present project evaluated the effect of UV-C radiation doses on the occurrence of postharvest anthracnose and stem rot in ‘Hass’ avocados with and without inoculation with Colletotrichum gloeosporioides and Lasiodiplodia theobromae. The peduncle region of the fruits was submitted to UV-C radiation doses of 0.36; 0.48; 0.60 and 0.72 kJ m -2 , and the equatorial region was exposed to UV doses of 0.34; 0.45; 0.56 and 0.67 kJ m -2 . After storage of the fruits at 6 ᴼC for 21 days and more six or eight days at 21 ᴼC, the incidence of diseases in uninoculated fruits and the incidence and severity of the anthracnose and the lasiodiplodia rot in inoculated fruits were evaluated, considering the diameter of the anthracnose lesion in the equatorial region and the length of lasiodiplodia rot from the peduncle. In the treatments without inoculation, the variables firmness of the pulp, soluble solids and titratable acidity were evaluated. The results were submitted to analysis of variance and the means compared by the Tukey test (5%). In general, the evaluated UV-C radiation doses did not reduce the occurrence of diseases in fruits with or without inoculation of the pathogens, nor did they affect the physical-chemical variables of ‘Hass’ avocado. Keywords: disease management, Persea americana, Colletotrichum, Lasiodiplodia INTRODUÇÃO No cultivo comercial do abacateiro no Brasil as variedades podem ser agrupadas em tipo exportação ou consumo interno. As preferidas para consumo interno geralmente apresentam baixo teor de óleo e produzem frutos grandes. Para exportação, as variedades mais cultivadas são a Hass e a Fuerte, conhecidas popularmente como ‘avocado’, de tamanho pequeno e alto teor de óleo. O abacate ‘Hass’ tem apresentado produção crescente nos últimos anos, destinado principalmente para o mercado europeu. Esta variedade possui formato oval a piriforme, massa média entre 180 a 300 gramas, casca grossa, rugosa e de coloração verde na planta e imediatamente após a colheita, mas com o amadurecimento a coloração da casca muda para marrom escuro (SCHAFFER et al., 2013). O abacate é um fruto climatérico, cujo amadurecimento ocorre poucos dias após a colheita, resultado de uma série de eventos, como aumento na atividade respiratória e na produção de etileno, e modificações no conteúdo lipídico, ocorrendo ainda mudanças na textura, envolvendo degradação de células do mesocarpo, redução no conteúdo de amido e aumento de glicose e frutose (SEYMOUR, TUCKER, 1993). O abacateiro é afetado por diversas doenças que ocorrem em pré e em pós-colheita. A antracnose, causada por Colletotrichum gloeosporioides, é considerada a principal doença em pós-colheita, ocorrendo em todos os países produtores (DANN et al., 2013). Em abacates ‘Hass’ amostrados em packinghouse do estado de São Paulo, procedentes de diferentes pomares, a antracnose ocorreu em 56,4% dos frutos, na média de duas safras, variando de 27 a 81% em função da procedência, após 9 ou 12 dias de armazenamento a 25 ᴼC e 80-85% de UR (FISCHER et al., 2017). A infecção ocorre no campo durante o desenvolvimento do fruto pelas