INTERSECÇÕES ENTRE IDENTIDADES E ATIVISMO DE FÃS: UM ESTUDO SOBRE O COMPARTILHAMENTO DE IMAGENS DE OTAKUS NO FACEBOOK DURANTE OS PROTESTOS CHILENOS DE 2019 1 Clara Andrade Pimentel 2 Philipe de Freitas Melo 3 RESUMO Este trabalho explora as relações entre ativismo de fãs, participação política e identidade através da análise dos compartilhamentos no Facebook de otakus — fãs de cultura pop japonesa — durante os Protestos Chilenos em outubro de 2019. Através da reconstrução da rede de compartilhamento de imagens em grupos e páginas do Facebook, buscou-se observar alguns caminhos pelos quais elas são espalhadas e quais comunidades são acionadas. Então foi feita uma análise de algumas páginas e grupos selecionados, em que pudemos observar a complexidade interna da rede promovida por diferentes identidades nacionais e culturais. Percebemos como os ativistas políticos se apropriam de táticas de fãs, como a remixagem de conteúdo e edição, para se engajarem politicamente com as pautas chilenas. Além disso, também foi constatado como os atores da rede articulam identidades diversas sobre si mesmos e sobre o movimento chileno, atribuindo-lhes características particulares através do uso de imagens da cultura pop e conteúdo político, de maneira similar às disputas narrativas internas de fandoms. Isso aproxima a dinâmica da rede do conceito de identidades multitudinárias, demonstrando uma estrutura complexa e irredutível, promovida pelas relações de diferentes identidades. Também foi possível visualizar como ocorrem as articulações de identidades de fãs e identidades político-sociais para a formação de comunidades específicas de fãs, direcionadas para a finalidade política. Palavras-chave: Identidade coletiva; Identidade multitudinária; Ativismo de fãs; Otaku; Chile. 1. INTRODUÇÃO Movimentos sociais articulados através de plataformas online são pauta desde a emergência das manifestações da Primavera Árabe, em meados de 2011, e continuam recorrentes e ganhando ainda mais força nos dias atuais. Recentemente, a América Latina tem passado por uma nova onda de protestos, como os ocorridos no Brasil de 2013 a 2018, Bolívia em 2019, de 2019 a 2020 no Chile, e Equador em 2021. Parte desses movimentos contam 3 Mestre em Ciência da Computação, Universidade Federal de Minas Gerais, philipe@dcc.ufmg.br. 2 Mestre em Comunicação Social, Universidade Federal de Minas Gerais, clara.a.pimentel@gmail.com. 1 Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho Comunicação, ativismo e participação política do XI Enpecom, Universidade Federal do Paraná, Curitiba-PR, 1, 2 e 3 de dezembro de 2021.