INFLUÊNCIA DE DIFERENTES SISTEMAS DE MANEJO DO SOLO NA CULTURA DA MANGUEIRA SOBRE AS FRAÇÕES OXIDÁVEIS DA MATÉRIA ORGÂNICA Glaucianne Cavalcante da Conceição (1) ; Carliana A. Pereira (2) ; Joyce R. Silva (3) ; Emison M. Borges (4) ; Débora C. Bastos (5) ; Vanderlise Giongo (5) , Alessandra S. Mendes (5) , Carlos A. T. Gava (5) (1) Graduando em Ciências Biológicas; Universidade de Pernambuco-PE; bolsista CNPq/PIBIC, glaucianne.bolsista@cpatsa.embrapa.br; (2) Graduando em Ciências Biológicas; Universidade de Pernambuco-PE. carliana_araújo@hotmail.com; (3) Mestranda em Ciência do solo/UFERSA, (4) Graduando em Geografia; Universidade de Pernambuco-PE; (5) Pesquisador, Embrapa Semiárido, Petrolina-PE. Cx. Postal 23, CEP 56302-970. gava@cpatsa.embrapa.br Resumo A matéria orgânica e a atividade biológica do solo têm sido postuladas como bons indicadores do seu estado de conservação. No entanto, pouco se conhece sobre seu comportamento sob as condições edafoclimáticas do Semiárido, principalmente no que concerne aos impactos da agricultura irrigada sobre estas características. O objetivo deste trabalho foi avaliar os impactos nas propriedades do solo decorrentes de diferentes sistemas de manejo do solo no Vale do Submédio São Francisco. As amostras foram coletadas em julho/Agosto de 2010 nas camadas de 0-10 e 10-20 cm em áreas com cultivo de manga em Petrolina-PE e Juazeiro-BA. Foram estudadas áreas com manejo convencional para a região, manejo integrado conforme preconiza o sistema de Produção Integrada de Manga e manejo orgânico, tendo como referência áreas adjacentes de Caatinga remanescente. Nesta parte do trabalho avaliou-se o efeito das práticas adotadas nos diferentes sistemas sobre o conteúdo total e diferentes frações oxidáveis da matéria orgânica do solo. As áreas com remanescentes de vegetação nativa apresentaram maior teor de matéria orgânica e de frações mais lábeis (F1) à superfície. No entanto, na área com manejo convencional do cultivo de mangueira existe maior proporção de frações lábeis (F1+F2), indicando um rápido turn over da matéria orgânica adicionada na forma de resíduos do manejo da cultura. Palavras-Chave: cultivo orgânico; produção integrada; carbono orgânico; quociente metabólico. INTRODUÇÃO O solo é um sistema complexo que quando submetido à atividade agrícola tende a um novo estado de equilíbrio, refletido em diferentes manifestações de seus atributos, os quais podem ser desfavoráveis à conservação da sua capacidade produtiva. A atividade agrícola pode causar modificações significativas nos fatores biológicos, químicos e físicos do solo, seja pela adição ou pela remoção de elementos, ou por práticas de cultivo (MOREIRA et al., 2010). Os efeitos sobre os atributos dependem do tipo de preparo, característico de cada sistema de cultivo, e são dependentes da intensidade de revolvimento, do manejo dos resíduos vegetais e das condições do solo no momento do preparo. A relação entre o manejo e a qualidade do solo pode ser avaliada pelo comportamento de alguns indicadores entre os quais destacam-se a matéria orgânica e a atividade microbiana (ANDERSON; INGRAM, 1993). De forma geral, a remoção da Caatinga para a introdução das atividades agrícolas convencionais, como a agricultura de subsistência e pastagem, reduz tanto o conteúdo de carbono total quanto da componente estocada na biomassa microbiana do solo (MAIA ET AL, 2006; FIALHO ET AL., 2006; BERNARDI ET AL., 2007). Contudo, a utilização da Caatinga em sistema silvipastoril ou agrossilvipastoril tem resultado em uma menor redução do estoque de carbono na biomassa microbiana, como nos resultados obtidos por Maia et al. (2006). No sistema de cultivo convencional de frutas no Vale do São Francisco, no preparo inicial do solo se preconiza o uso de aração e gradagem, e a atividade é dependente do aporte de insumos químicos (fertilizantes e herbicidas) e intenso tráfego de máquinas para as operações de manejo ao longo dos ciclos produtivos. O cultivo orgânico, por outro lado, exclui os aportes de fertilizantes sintéticos solúveis e pesticidas, passando a promover a introdução de matéria orgânica na forma de adubação verde e aplicação de biofertilizante e compostagem. Já o cultivo integrado busca maximizar a produção com menor impacto sobre o meio ambiente e preconizando a utilização de uma mistura de práticas e insumos dos sistemas convencionais e orgânicos. A matéria orgânica do solo (MOS) é uma mistura de resíduos vegetais e animais em diferentes estágios de decomposição, microrganismos do solo e substâncias produzidas por estes. Alguns métodos permitem estudar o teor de MOS e caracterizá-la quanto à labilidade, ou disponibilidade à atividade microbiana como: matéria orgânica solúvel em água (SOM); matéria orgânica particulada (MOP); matéria orgânica leve (MOL) e frações oxidáveis, permitindo inferir no conteúdo e qualidade da MOS e disponibilidade para a mineralização (MIELNICZUK et al. 2003; MENDONÇA; MATOS, 2005). No Vale do São Francisco especificamente, os resultados de Salcedo et al. (1997) mostraram uma