Revista Ensaios de História, v. XXI, n. 1, 2020 13 Gustavo Barroso e a construção de uma História do Cangaço: da bandidagem à revolta sertaneja Gustavo Barroso and the construction of a history of the Cangaço: banditry to sertaneja revolt Isabela de Lorena Zaniboni 1 Resumo: Nosso objetivo com este artigo é analisar como o autor cearense Gustavo Dodt Barroso (1888-1959) construiu sua história do Cangaço. Em sua escrita, o movimento do Cangaço aparece intrínseco à história de vida sertaneja e as referências que a cercam. Para entender melhor essa narrativa, é preciso observar o contexto de formação da vida sertaneja que Barroso nos mostra, assim como o próprio contexto do autor presente na escrita das obras que trazemos como nossas fontes: Terra de Sol (1912), Heróes e Bandidos (1917) e Almas de Lama e de Aço (1928). Discorreremos, primeiramente acerca de como o autor foi estudado ao falar do Cangaço juntamente com as três obras mencionadas, para depois analisarmos as semelhanças e diferenças entre elas. Palavras-chaves: sertão, Gustavo Barroso, Cangaço, civilização, Nordeste. Abstract: Our object with this article is to interpret how the writer ceraense Gustavo Dodt Barroso (1888-1959) produced your history of the Cangaço. In your write, the construction of the moviment of Cangaço show united to the backwoods life and the your influencys. For to better understand this narrative, need to observe historical context of backwoods life that Gustavo Barros show up, as yourself context of production of these jobs that we chose as our sources: Terra de Sol (1912), Heróes e Bandidos (1917) e Almas de Lama e de Aço (1928). First, we talk about how the writter was to studyed when speak about the Cangaço together with the three sources almost quoted, for after we studying the similars and diferences in the three productions. Keywords: sertão, Gustavo Barroso, Cangaço, civilization, Northeast. Introdução Gustavo Dodt Barroso (1888-1959) nasceu no Ceará em 1888, ainda moço foi para o Rio de Janeiro em 1910, o que garantiu sua convivência com importantes letrados das primeiras décadas do século XX, bem como, o prestígio necessário para participar de instituições de destaque no período. Assumiu, em 1922, a direção do Museu Histórico Nacional (MHN), foi eleito imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1923, e sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) em 1931 2 . 1 Graduanda do curso de Bacharelado e Licenciatura em História pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP, campus de Franca, sob orientação da Profª. Drª. Karina Anhezini. 2 CERQUEIRA, Erika Morais. O passado que não deve passar: história e autobiografia em Gustavo Barroso. 125 f. Dissertação (Mestrado) Curso de História, Instituto de Ciências Humanas e Sociais/UFOP, Mariana, 2011.