Revista Movimenta ISSN: 1984-4298 Vol 5 N 4 313 CALCITONINA PLASMÁTICA E EXERCÍCIO FÍSICO: UMA BREVE REVISÃO Saulo Fernandes Melo Oliveira 1 , Fabíola Lima Albuquerque 2 , Manoel Cunha Costa 2 1 Professor. Escola Superior de Educação Física de Pernambuco. Laboratório de Avaliação da Performance Humana. 2 Aluna do Programa Associado de Pós-graduação em Educação Física de Pernambuco. Laboratório de Avaliação da Performance Humana. Resumo: O presente trabalho teve como objetivo reunir trabalhos originais na área de exercício físico e seus possíveis efeitos sobre os níveis do hormônio calcitonina. As buscas foram realizadas pela internet, mediante administração da sintaxe “calcitonina” AND “exercício”, diretamente no site das bases de dados Bireme e Pubmed, num intervalo de uma semana para cada fonte. Foram encontrados 338 artigos originais que, após administração dos critérios de inclusão e exclusão, tiveram seu número reduzido para apenas 4. Observou-se que das pesquisas selecionadas, apenas uma obteve êxito significativo (p<0,05), após período de 6 meses de terapia com exercícios aquáticos. O tipo, a frequência e a intensidade da atividade física ainda não estão claramente definidos como causadores de modificações nos níveis plasmáticos do hormônio. Conclui-se que as terapias por meio de exercícios físicos controlados parecem exercer efeitos positivos sobre a calcitonina plasmática a longo prazo, porém, pela quantidade exígua de estudos experimentais com humanos há necessidade de novas pesquisas no intuito de verificar, com mais precisão, os verdadeiros efeitos fisiológicos do exercício físico sobre os hormônios do metabolismo ósseo. Palavras-chave: Calcitonina, exercício, aptidão física Introdução Os mecanismos envolvidos no metabolismo do tecido ósseo estão relacionados basicamente à reabsorção e remodelamento de suas estruturas macro e microscópicas. A matriz óssea é formada por tecido conjuntivo especializado, colágeno e células que participam dos mecanismos de turnover dos nutrientes. O cálcio (Ca + ), dentre as várias funções que desempenha no organismo, está presente em grande parte dessa matriz (cerca de 99% do volume corporal total de Ca + ), e têm seus níveis sistêmicos modulados pela calcitonina (CT) e pelo hormônio paratireoidiano (PTH), secretados pelas glândulas tireóide e paratireóide, respectivamente 1 . Ambos os hormônios anteriormente descritos possuem funções antagônicas, agindo por meio de retroalimentação negativa a partir das alterações plasmáticas de Ca + . De acordo com um estudo realizado por Ay e colaboradores 2 quando ocorre a modificação nas concentrações do íon, os hormônios agem no sentido de mobilizar as funções dos osteoclastos, para que haja o remodelamento da matriz óssea. Pesquisadores sugerem que o remodelamento ósseo é estimulado por meio das forças mecânicas impostas ao tecido como um todo como no caso do exercício físico, e especialmente no treinamento com pesos 3,4 . A CT é um hormônio polipeptídico secretado pelas células C da tireóide, que tem como função inibir a atividade de reabsorção óssea por parte dos osteoclastos, podendo ser administrada com segurança pelas vias nasais. Estudos 5 já foram conduzidos demonstrando a eficácia da terapia farmacológica combinada à intervenção com exercícios físicos resistidos (Braith, 1996) (5)