CIDADES PARA QUEM? Um olhar sobre o Município de Pejuçara/RS, à luz dos Doze Critérios de Jan Gehl CITIES FOR WHOM? A look at the Municipality of Pejuçara/RS, in the light of Jan Gehl’s Twelve Criteria Roberta Rodrigues Valandro 1 , Angela Pereira Barros 2 , Tarcísio Dorn de Oliveira 3 e Pedro Luís Büttenbender 4 Resumo A presente pesquisa busca proporcionar uma convergência relacional entre os 12 Critérios que determinam um bom espaço público, segundo a obra Cidade para Pessoas de Jan Gehl, no recorte do Município de Pejuçara/RS. Estão demonstrados quais critérios são utilizados ou negligenciados nas três praças municipais: Visconde de Rio Branco, Caetano Ferigolo e Savino Costa Beber, o que vai diretamente ao encontro do tema e objetivo do estudo. A pesquisa conta com os seguintes métodos: estudo bibliográfco a partir de livros e periódicos, entrevistas e conversas informais com a comunidade, e por fm houve a descrição de tudo que foi analisado e observado no ambiente. Os resultados apontam que a Administração Municipal realiza a manutenção dos ambientes, porém ainda necessita de melhorias. Por fm, há apontamentos de sugestões de aprimoramento para o bem-estar e qualidade de vida da população na forma de novos layouts. Palavras-Chave: planejamento, cidades, pessoas, estratégias, bem-estar. Abstract The present research seeks to provide a relational convergence between the 12 Criteria that determine a good public space, according to the work City for People by Jan Gehl, in the city of Pejuçara/RS. The objectives used or neglected in the three municipal squares are demonstrated: Visconde de Rio Branco, Caetano Ferigolo and Savino Costa Beber, which directly meets the theme and study of the study. I present from the following methods: bibliographic study of books and periodicals, interviews and graphic account interviews, and fnally there was a description of everything that was studied and observed in the environment. The results indicate that the Municipal Administration carries out the maintenance of the environments, but still needs adjustments. Finally, there are notes of suggestions for improvement for the well-being and quality of life of the population. 1 Mestranda em Desenvolvimento Regional (UNIJUÍ), Especialista em MBA em Marketing (UNIJUÍ), Bacharela em Administração (UNIJUÍ). 2 Mestranda em Desenvolvimento Regional (UNIJUÍ), Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho (UFMT), Especialista em Gestão Pública (IFMT), Bacharela em Arquitetura e Urbanismo (UNIC). 3 Pós-Doutor em Arquitetura e Urbanismo (IMED), Doutor em Educação nas Ciências (UNIJUÍ), Mestre em Patrimônio Territorial (UFSM), Especialista em Educação (IFSul), Especialista em Artes (UFPel), Bacharel em Arquitetura e Urbanismo (UNICRUZ). 4 Doutor em Administração (UNaM e UFMS), Mestre em Gestão Empresarial (FGV-EBAPE), Especialista em Cooperativismo (UNISINOS), Especialista em Administração Estratégica (UNIJUÍ), Bacharel em Administração (UNIJUÍ). Keywords: planning, cities, people, strategies, welfare. Introdução Sabe-se que a população humana vem aumentando muito (WORLDOMETER, 2021), e esse fenômeno resulta na degradação de terras, mau uso de esgotos, acúmulo de lixos, poluição, superpopulação e sobrecarregamento de serviços. Para isso não terminar por ameaçar o bem-estar do homem e de suas gerações futuras, há a necessidade do desenvolvimento de um equilíbrio. Segundo projeções, no ano de 2020 a população mundial era de 7,79 bilhões de pessoas, e deve chegar a 10,88 bilhões até o ano de 2100 (OUR WORLD IN DATA, 2021). Levando em consideração os dados apresentados no site é evidente a importância de um planejamento e desenvolvimento urbano adequado onde se tenha resiliência e respeito mútuo. Cidades para quem? E quem tem direitos? As normas de ordem pública e de interesse social regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança, bem-estar e do equilíbrio ambiental. Assim sendo, a política urbana tem por intuito ordenar o pleno desenvolvimento das cidades incluindo todos os habitantes (BRASIL, 2001). A formação do espaço urbano envolve conhecimento dos direitos e deveres de cada cidadão, que implica em compreender as questões urbanísticas analisando os aspectos sociais de acesso à cidade. Para a presente pesquisa se enfatizará a visão do autor Jan Gehl no que tange o desenvolvimento das cidades e suas interfaces com a dimensão humana. Jan Gehl é um professor, arquiteto e urbanista dinamarquês que depositou 50 anos em pesquisas a respeito das questões de forma e função dos espaços públicos. O arquiteto passa a analisar e projetar inserções nas cidades de maneira a superar os paradigmas da modernidade, a qual possui um olhar artifcial quanto à população (MAHFUZ, 2016). Os estudos mais interessantes e importantes do autor são em relação ao espaço e de como ele afeta a vida. Desta forma, cria o conceito de Cidade para Pessoas, tornando- se um defensor das cidades mais humanas. O objeto de interesse do arquiteto é essencialmente os habitantes, pedestres e ciclistas. Jan Gehl aprofunda seus estudos com o auxílio da psicóloga Ingrid Mundt e do antropólogo Eduard T. Hall, a partir disso, os pesquisadores introduzem a inversão de como as cidades são construídas, bem como a escala que prioriza automóveis em vez do ser humano, ou seja, vida-espaço-edifícios, nesta ordem (GEHLPEOPLE, 2021; MAHFUZ, 2016). Atualmente Gehl dedica-se a consultorias de projetos urbanísticos em sua empresa, a Gehl Architects, realizando trabalhos e assessorias pelo mundo todo (GEHLPEOPLE, 2021). A intenção deste artigo é de proporcionar uma convergência relacional entre os 12 Critérios que determinam um bom espaço público, segundo a obra Cidade para Pessoas de Jan Gehl, no recorte do Município de Pejuçara/RS. Esse estudo tem o objetivo de demonstrar quais desses critérios são adotados pelo Município, bem como indicar os métodos negligenciados pela Gestão Municipal, de tal forma a apontar sugestões de aprimoramento para o bem-estar e qualidade de vida da população. O estudo está organizado em cinco tópicos, sendo o primeiro composto por esta introdução, o segundo tópico apresenta os caminhos metodológicos da pesquisa, o tópico três abrange o referencial teórico, o quarto tópico os resultados e discussões, e por fm, no quinto e último tópico são tecidas as considerações fnais, seguidos dos referenciais bibliográfcos. n.22, v.6 inverno de 2022 ISSN 2526-7310 489 n.22, v.6 inverno de 2022