>>Atas CIAIQ2015 >>Investigação Qualitativa em Saúde//Investigación Cualitativa en Salud//Volume 1 90 Filhos de Casais do mesmo sexo: como estudá-los? Children of same sex couples: how to study them? Gilclécia Oliveira Lourenço, Maria Cristina Lopes de Almeida Amazonas, Ricardo Delgado Marques de Lima, Danielle de Andrade Pitanga Universidade Católica de Pernambuco Recife, Brasil gilcleciaoliveira@yahoo.com.br Resumo — Neste trabalho relata-se a metodologia utilizada para investigar a maneira como crianças e adolescentes, que vivem em famílias cujo casal parental é constituído por pessoas do mesmo sexo, representam a si mesmas e a suas famílias. No estudo fez-se uso de um “álbum de fotografias” como instrumento para estimular a narrativa de histórias. Este se mostrou uma excelente técnica de construção de dados para crianças e/ou adolescentes devido ao fato de lhes despertar interesse e se aproximar do universo de significações dos participantes. Palavras Chave – familia; metodologia; construção de dados; album de fotografias. Abstract — This paper is about a methodology used to investigate how children and adolescents of same sex couples represent themselves and their families. It was used a “photo album” in this research as an instrument to stimulate stories narratives. This instrument has shown itself as a very effective data collecting technique for children and adolescents because it was able to catch their attention and interest as a way to come closer to participants´ universe of significations. Key-word - family; methodology; data construction; photo album I. INTRODUÇÃO O trabalho de pesquisa com o público infanto-juvenil é um desafio para o pesquisador, pois traz consigo inúmeras implicações éticas que dizem respeito às peculiaridades do seu público-alvo, e por várias vezes ficam na mira de críticas. Menezes [1] argumenta que a maior parte dos estudos, cujos objetivos são voltados para o universo infantil, tem como corpus da pesquisa os discursos dos seus responsáveis. No que concerne aos trabalhos científicos sobre as famílias, apesar de envolver crianças e adolescentes nos seus objetivos, dificilmente estes são participantes ativos no fornecimento de dados. O fato é que, na sociedade, de modo geral, os adultos habitualmente têm a expressão de suas ideias valorizada, enquanto que as manifestações expressivas das crianças, por serem consideradas ingênuas ou imaturas, ainda são caladas e/ou preteridas. Em contrapartida, Gaiva [2] afirma que apesar de, no passado, as crianças e adolescentes terem sido tomados mais como objetos do que como sujeitos de estudos, hoje se observa um movimento científico que os considera capazes de ver e descrever seu próprio mundo. Os pesquisadores estão reconhecendo a importância de se promover estudos com essa faixa etária, considerando-os uma rica fonte de dados. Segundo Vasques, Mendes-Castillo, Bousso, Borghi e Sampaio [3] um movimento crescente que busca consolidar e reconhecer a criança e o adolescente como cidadãos de direito, ganha cada vez mais força. Esse movimento percebe a criança e o adolescente como indivíduos sociais, produtores e consumidores da cultura e da história. A construção dessa nova maneira de pensar rendeu muitas conquistas, inclusive no campo legal, com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (início dos anos 90), que aponta para a aceitabilidade da criança e/ou adolescente como agentes sociais e cidadãos de direito. As crianças e adolescentes são atores sociais e representam, de fato, uma rica fonte de dados para pesquisa; no entanto, devemos considerar suas especificidades nos aspectos biopsicossociais, o que impõe ao pesquisador uma maior cautela ao tomá-los como corpus de seu estudo [3]. Juntamente com esta pespectiva, discussões éticas e regulamentações específicas sobre a participação desse público em estudos, começam a surgir. No Brasil, a resolução 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde [4] estabeleceu que a participação de menores em estudos científicos está condicionada não apenas à autorização do representante legal, mas também ao assentimento do próprio indivíduo, quando existirem condições de compreensão por parte deste. Assim, as perspectivas infanto-juvenis trazem para o meio científico peculiaridades relativas à idade, a experiências de vida, características de seu grupo familiar, entre outros, que demandam indagações teórico- metodológicas e implicações éticas. O pesquisador que se propõe a enveredar por esse caminho deve se manter atento, pois a linguagem pela qual as crianças e os adolescentes se comunicam diferencia-se da dos