20/11/2022 12:09 Rogerio da Silva Lima www.mshs.univ-poitiers.fr/crla/contenidos/ESCRITURAL/ESCRITURAL6/ESCRITURAL_6_SITIO/PAGES/Silva.html 1/17 O Cordel no contexto da música popular brasileira. Imaginar o Sujeito brasileiro e a Nação pela música popular Rogério da Silva Lima Universidade de Brasília/Rede Pesquisa e Ensino Centro-Oeste 3/Rede Pesquisa LER/Cátedra UNESCO/PUC-RJ/Grupo de Pesquisa Charles Morazé- UnB/CNPq/Centre Charles Morazé/ Équipe F2DS-MSH-Paris ____________________________ ♦ O Popular Absorvido pela Sociedade do Grande Centro Urbano ♦ Literatura brasileira e cultura popular, literatura e cordel ♦ A música nordestina chega ao Rio de Janeiro ♦ Nordeste: Cordel, Repente Canção ♦ O bardo moderno e a tradição do cordel na Música Popular Brasileira Índice Topo O texto que apresento faz parte da pesquisa que venho desenvolvendo intitulada O Brasil e a Imagem Cultural da Nação Vistos pelas Culturas Estrangeiras Transatlânticas. Especificamente, o que apresentarei na minha fala está circunscrito à etapa de estudo que tem como subtema: “A imagem do Brasil por intermédio da canção brasileira: pensar a nação pela música popular brasileira”. O convite feito pelo CRLA-Archivos para que eu participasse da Journée d’Etudes Internationale – Literatura de Cordel et Littératures Populaires du Portugal et du Brésil é uma excelente oportunidade para a divulgação de resultados parciais dessa pesquisa que tem investigado a presença da tradição do Cordel no contexto da Música Popular Brasileira Contemporânea e sua aproximação com a Literatura brasileira. Especificamente, tenho buscado identificar um cantador brasileiro, moderno, continuador da tradição do cordel, no universo da Música Popular Brasileira Contemporânea. Em nossa pesquisa temos procurado aprofundar as investigações sobre as relações da canção popular brasileira com as formas literárias consideradas “obsoletas” como a poesia escrita tradicional. O Popular absorvido pela sociedade do grande centro urbano Na contramão da tradição literária nacional, é possível identificarmos no espaço criativo da Música Popular Brasileira Contemporânea o surgimento de uma poética rural/urbana, herdeira do Lundu canção brasileiro e da Modinha, que foram adaptados ao gosto nacional ao longo do tempo, que encontrou espaço fértil para o seu desenvolvimento na Música Popular Brasileira. O compositor Heitor Villa-Lobos foi um dos desenvolvedores dessa adaptação e aproximação entre a Modinha e o Lundu, conforme o exemplo de seu Lundu da Marquesa de Santos: Minha flor idolatrada Tudo em mim é negro e triste Vive minh'alma arrasada Ó Titilha Desde o dia em que partiste Este castigo tremendo já minh'alma não resiste, Ah! Eu vou morrendo, morrendo Desde o dia em que partiste Tudo em mim é negro e triste Vive minh'alma arrasada, Ó Titilha! Desde o dia em que partiste Tudo em mim é negro e triste Este castigo tremendo, tremendo. O Lundu canção permaneceu na cultura brasileira contemporânea, tendo diversos compositores, no correr do século XX, se aproximado desse gênero de canção, sejam eles dedicados à chamada música erudita como Heitor Villa-Lobos ou à música popular como o sambista e compositor Cartola com seu Lundu Ensaboa: Ensaboa mulata, ensaboa Ensaboa Tô ensaboando Ensaboa mulata, ensaboa Ensaboa Tô ensaboando Tô lavando a minha roupa Lá em casa estão me chamando Dondon Ensaboa mulata, ensaboa Ensaboa Tô ensaboando Os fio que é meu, que é meu E que é dela Rebenta a goela de tanto chorá O rio tá seco, o sol não vem não Vortemos pra casa Chamando Dondon Conforme anota Jairo Severiano em sua Uma história da música popular brasileira: No final do século XIX, a modinha se democratizou e ganhou as ruas nas vozes dos cantores de serenatas. Esse período, em que ela viveu o seu momento de maior prestígio, estendeu-se por cerca