47 Unoesc & Ciência - ACBS Joaçaba, v. 7, n. 1, p. 47-54, jan./jun. 2016 DESCARTE DE MEDICAMENTOS, RESPONSABILIDADE DE TODOS Nerly Marquezoti * Rafael Mariano de Bitencourt ** RESUMO O aumento populacional agrava o crescimento do uso de diversos medicamentos que, quando lançados indiscrimina- damente no meio ambiente, afetam os animais, o solo, os lençóis freáticos e as fontes naturais de água, além de trazerem uma série de consequências ruins para a saúde pública. Além disso, parte do problema é a prescrição de medicamentos com quantidade de comprimidos ou cápsulas além do necessário, sendo que, após a utilização, esses medicamentos não utilizados são deixados guardados e, passando da validade, muitas vezes, são descartados em locais inapropriados, ge- rando a contaminação do meio ambiente e afetando tanto a flora quanto a fauna. Pensando nesses possíveis problemas, neste trabalho se propõe uma revisão sobre o tema levantado, bem como conscientizar a população videirense, por meio da distribuição de folder explicativo em diferentes pontos da cidade. Esse folder alerta o indivíduo sobre os possíveis danos causados pelo descarte incorreto de medicamentos e destaca a importância do papel de cada indivíduo em contribuir para que essa realidade seja minimizada. Além do mais, no presente estudo se retrata a necessidade de se disponibilizar pontos de coleta de medicamentos, vencidos ou de sobra de tratamentos, em locais comerciais que são referência em saúde, no Município de Videira, SC. Palavras-chave: Descarte. Medicamentos. Coleta. Meio ambiente. 1 INTRODUÇÃO A indústria farmacêutica fatura quantias elevadas diante de outras áreas comerciais, pois os medicamentos pos- sibilitam a cura de várias doenças, bem como o controle das doenças crônicas para que se mantenha a saúde do enfermo. Assim, é natural que ocorra o acúmulo de resíduos sólidos ocasionados pelo descarte incorreto dos medicamentos, acarretando sérios riscos socioeconômicos e ambientais (PEREIRA, 2013). Os medicamentos que são descartados na coleta de lixo comum ou no meio ambiente causam efeitos tóxicos rápidos, provocando a morte e o surgimento de doenças crônicas. Além do mais, o fato de muitos medicamentos se- rem obtidos em quantidade maior que o necessário faz com que estes caiam em desuso ou sejam utilizados por outras pessoas, o que, muitas vezes, é ainda pior. É importante, também, salientar que muitos medicamentos com o período de validade expirado perdem seu efeito ou intoxicam o usuário, contrariando o objetivo com o medicamento em se restaurar a saúde do paciente (CARVALHO; FERREIRA; SANTOS, 2009). Os resíduos da cadeia farmacêutica são encontrados tanto em instituições relacionadas aos serviços de saúde quanto em posse dos indivíduos nos domicílios. Sabe-se que, atualmente, os resíduos gerados pelos hospitais e postos de saúde estão sujeitos a um sistema de gerenciamento, assim, há grande importância em informar e conseguir bons resultados para que a população saiba descartar os medicamentos vencidos ou sem utilidade em ambiente próprio, ou seja, nas farmácias que participam do processo de coleta desses produtos químicos (KAVAMOTO, 2011). Observando-se o que foi mencionado nos parágrafos anteriores, verifica-se que essa situação, que poderia ser totalmente controlada, deve-se, em grande parte, ao fato de a sociedade não ter informações quanto à forma correta de descarte dos medicamentos. E mesmo que muitos indivíduos estejam cientes sobre a existência de vários compostos químicos presentes nos medicamentos, ainda assim essas pessoas eliminam os medicamentos em pias, lixos domésticos _____________________ * Acadêmica do Curso de Farmácia na Universidade do Oeste de Santa Catarina de Videira; nerlymarquezoti@hotmail.com ** Doutor e Mestre em Farmacologia pela Universidade Federal de Santa Catarina; Professor do Curso de Farmácia na Universidade do Oeste de Santa Catarina de Videira; bitencourtrm@gmail.com