Submissão: 05/10/2020. Aprovação: 03/08/2021. Sistema de avaliação: Double Blind Review, sob responsabilidade do Núcleo de Estudos Organizacionais e Sociedade da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Editores Especiais: Daniela Tonelli Manica, Érica Renata de Souza e Luiz Alex Silva Saraiva. CORPO ABERTO: NOTAS SOBRE O ENCONTRO ENTRE GÊNERO, DISCURSO RELIGIOSO E CIENTÍFICO EM UM TERREIRO DE UMBANDA ESOTÉRICA EM BELO HORIZONTE Bianca Zacarias França 1 INTRODUÇÃO Muitos contextos religiosos de matriz afro e afro-indígenas, como o Candomblé e o culto a Egum, apresentam uma divisão sexual das atividades rituais ou uma regulação, pela diferença de gênero, ao acesso às várias dimensões do conhecimento religioso e da identidade do grupo (Caputo, 2012; Silva, 2006). Na Umbanda, e mais especificamente no Templo Universalista e Espiritualista Solar – TUÉS – terreiro de Umbanda Esotérica sediado na cidade de Belo Horizonte, parceiro dessa pesquisa e onde o trabalho de campo se desenvolveu, compondo uma etnografia mais ampla que resultou em minha dissertação de mestrado 2 , a particularidade é que essas diferenças sexuais e de gênero pertinentes à religiosidade dessa doutrina se valem de argumentos com inspirações científicas para explicar ou justificar seus fundamentos. Assim, nesse artigo, mostraremos como uma cosmologia tão múltipla e genderizada, considerando um 1 Doutoranda em Antropologia Social (Universidade Federal de Minas Gerais). http://lattes.cnpq.br/5432359677776795. https://orcid.org/0000-0002-2376-368X. biancazfranca@hotmail.com. Endereço para correspondência: Rua Piatá, 19, Santa Maria, Belo Horizonte, MG, Brasil. CEP: 30525-320. Telefone: Não informado. 2 O presente trabalho é resultado de minha pesquisa de mestrado (FRANÇA, 2021) realizada com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – (CAPES) Brasil – Código de Financiamento 001.