Publicação do Departamento de História e Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte Centro de Ensino Superior do Seridó – Campus de Caicó. V. 05. N. 10, abr./jun. de 2004. – Semestral ISSN ‐1518‐3394 Disponível em www.cerescaico.ufrn.br/mneme 73 Do Paraíso às Chamas, das Chamas ao Paraíso Ms. Joel Carlos de Souza Andrade Prof. da Universidade Federal do Rio Grande do Norte jocadesoan@yahoo.com.br Ms. Manoel Carlos Fonseca de Alencar Prof. da Universidade Estadual do Ceara mcarfos@yahoo.com.br Nós nunca nos realizamos. Somos dois abismos – um poço fitando o Céu. Fernando Pessoa Resumo Os marcos historiográficos se constituem referências para as diferentes abordagens do historiador. Tendo como recortes temporais: o 1492, a chegada de Colombo ao Novo Mundo e 2001, com a derrubada das torres gêmeas do World Trade Center analisa-se o processo de constituição do moderno mundo ocidental marcado historiograficamente por conceitos como colonização, revolução, civilização, Renascimento, Iluminismo e Orientalismo que reforçam um lugar de poder e saber sobre o outro. Portanto, pretende-se problematizar esses lugares prontos mostrando, como, afirma Jean Delumeau, que as palavras têm vida e não são inocentes. Palavras-chave História Moderna, Orientalismo, Ensino de História As recentes afirmações de George W. Bush acerca dos conflitos entre Estados Unidos e Afeganistão e posteriormente com as justificativas para invasão do Iraque e todo o seu desenrolar nos últimos meses nos leva a refletir, mesmo que brevemente, nas relações que historicamente tem se estabelecido entre o Oriente e o Ocidente e cuja produção discursiva se ampliara no pós 11 de setembro. Declarações que nomeiam como “bárbaros” os povos do oriente Médio e a associação destes com o atraso, com o despotismo e com o fanatismo religioso, veiculadas pela imprensa ocidental, principalmente através da rede americana CNN e, por outro lado, temos nos deparado com uma fissura desse olhar através da rede Al Jazeera que imprime numa suposta perspectiva árabe um novo discurso sobre os episódios recentes no Oriente Médio. Este embate coloca sérios problemas sobre como o Ocidente tem visto a si mesmo e aos povos que se encontram fora de seus padrões culturais. Isto porque o Ocidente tem se colocado como uma cultura superior às outras e, em nome