Extração de DNA Vegetal QUÍMICA NOVA NA ESCOLA Vol. 33, N° 1, FEVEREIRO 2011 32 Recebido em 31/07/2009, aceito em 13/10/10 Cláudia Maria Furlan, Ana Carolina de Almeida, Cristiane Del Nero Rodrigues, Daniel Gouveia Tani- gushi, Déborah Yara A. C. dos Santos, Lucimar Barbosa Motta e Fungyi Chow Material vegetal como fonte de DNA tem sido extensamente usado em sala de aula para práticas em laboratório. Este trabalho tem por objetivo discutir importantes aspectos relacionados a problemas práticos do isolamento e da identificação de DNA obtido de plantas durante aulas de Ciências e Biologia. Baseado em respostas de professores de educação básica, foi detectada grande dificuldade na identificação de camadas de pectinas e o verdadeiro DNA. Vários aspectos concernentes ao correto discernimento entre DNA e pectina são discutidos. DNA vegetal, extração de DNA, pectinas Extração de DNA Vegetal: O que Estamos Realmente Ensinando em Sala de Aula? “Embora conteúdos relacionados com DNA sejam contemplados no ensino fundamental, médio e superior, alunos e educadores muitas vezes não conseguem associar o DNA a uma molécula real e, muito menos, relacionar e compreender a sua presença nos vegetais.” Introdução Este artigo relata a percepção na decorrente dificuldade no discerni- mento de pectina e DNA, após mi- nistrar quatro edições de um curso de atualização de professores, em extrações a partir de material vege- tal em uma das aulas práticas mais frequentes na Educação Básica e no Ensino Superior. Também são dis- cutidos e apontados os principais aspectos críticos na extração de DNA ve- getal; os equívocos na aplicação dos protocolos de extra- ção; a confusão na interpretação dos resultados; além da constatação na falta de contextualização do termo DNA com vegetal. A finalida- de deste trabalho é auxiliar e esclarecer alguns aspectos do protocolo dessa tão difundida expe- riência em sala de aula, bem como apresentar dados de pesquisa re- sultante de questionários aplicados a educadores da educação básica (Ciências e/ou Biologia) e do ensino superior. O dna: assunto de atualidade no nosso dia-a-dia A mídia traz cada vez mais assuntos vinculados à ciência, atraindo constantemente o interes- se do cidadão comum. No entan- to, muitas vezes, são considerados temas difíceis de serem compreendi- dos e associados ao nosso cotidiano. A Botânica, em par- ticular, aparece em discussões relacio- nadas a Organis- mos Geneticamente Modificados (OGM, os famosos trans- gênicos), proteção da biodiversidade vegetal em áreas de conserva- ção, desmatamento da Amazônia, áreas de expansão agrícola para produção de biocombustível, des- cobertas de novas substâncias com ação farmacológica ou cosmética, entre outras notícias. Entretanto, a compreensão e o aprendizado dos conceitos botânicos abordados na escola ou na faculdade ainda apresentam alguma dificuldade em serem realmente contextualizados (Kinoshita e cols., 2006; Silva e cols., 2006), ou seja, com real impli- cação nas nossas atividades no dia a dia e frequentemente carecem de significado com a nossa realidade. Ricardo e cols. (2007) abordam as recentes propostas de reforma da educação básica brasileira e a uni- versalização do acesso ao ensino, a interdisciplinaridade e a revisão das práticas docentes de forma que os conhecimentos aprendidos na edu- cação básica possam ir além dos muros da escola. Nesse particular, o ensino de Ciências/Biologia tem o grande papel de tentar responder aos anseios da sociedade moderna, servindo de ponte entre ciência bá- sica e tecnologia.