LITERARTES, n.2, 2013 – Sérgio Rizzo 149 TAINÁ - A ORIGEM E MEU PÉ DE LARANJA LIMA: O POPULAR E O ERUDITO NO CINEMA INFANTIL BRASILEIRO Sérgio Rizzo 1 Dois filmes brasileiros, voltados para crianças, entraram em cartaz no pri- meiro semestre de 2013. Havia uma grande expectativa em relação ao de- sempenho de bilheteria. Em ambos os casos, os números ficaram aquém das previsões mais conservadoras. Lançado no início de fevereiro, Tainá - A origem havia atingido, no final de abril, a marca de 342,3 mil espectadores. De acordo com seu produtor, Pedro Carlos Rovai, a “estimativa mais pessi- mista” apontava para 500 mil 2 . Meu pé de laranja lima chegou aos cinemas em meados de abril e fez 34,5 mil espectadores em suas duas primeiras semanas de exibição. Pelo comportamento habitual do mercado exibidor, dificilmente alcançaria a marca de 100 mil espectadores — performance considerada razoável para um filme de baixo orçamento que, segundo a produtora Katia Machado, custou pouco mais de um terço do que havia sido inicialmente previsto 3 . A interpretação ligeira dos números de bilheteria no mercado cinemato- gráfico tende a sugerir que êxitos e fracassos devem-se apenas à qualidade 1 Jornalista, crítico de cinema, doutor em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA-USP, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da FAAP. 2 Entrevista ao autor: http://censuralivre.blogfolha.uol.com.br/2013/02/09/ diretora-produtor-e-elenco-falam-sobre-taina-o-proximo-sera-uma-animacao/ 3 Em 2005, quando teve início o processo de captação de recursos, Meu pé de laranja lima estava orçado em R$ 9 milhões. Oito anos depois, foi concluído por R$ 3,4 milhões. Entrevista de Katia Machado ao autor: revista Cult, edição 178, abril de 2013.