86 Revista Mosaicum, n. 9, jan.-jun. 2009 - ISSN: 1808-589X POR QUE LITERATURA? INICIAÇÃO AO ESTUDO DA OBRA DE LUIZ COSTA LIMA Abrahão Costa Andrade Resumo: Tentativa de responder à pergunta sobre as razões da literatura, a partir de um estudo filosófico da obra de crítica literária de Luiz Costa Lima. Palavras chave: Literatura; Filosofia; Filosofia da Literatura; Realidade; Ficção. Abrahão Costa Andrade é Mestre e Doutor em Filosofia pela USP e Professor do Doutorado Integrado em Filosofia (UFRN, UFPB, UFPE) e Pprofessor Adjunto IV na UFPB. Email: abcosan@hotmail.com Em 1966, com 29 anos de idade, Luiz Costa Lima iniciou uma interrogação teórica que, já pelo título, nada escondia de seu alcance e interesse filosóficos: Por que literatura. A pergunta pelo porquê de algo é – sabemos – sempre uma tentativa de encontrar a razão de ser, um fundamento desse algo: aquilo que o sustenta, mas também o que lhe instaura no ser. Ora, a filosofia, ao longo de sua história, notabilizou- se por tomar essa busca pelo fundamento como sua marca distintiva. O filósofo não cria o fundamento, ou o apresenta dogmaticamente, como se o fundamento fosse um fruto gerado em seu seio e, depois de amadurecido, exibido, como uma pérola na ostra; como seu rebento predileto. O fundamento de o que quer que seja está no tempo que o gerou, daí a tarefa do filósofo ser interrogar a coisa para descobrir seu tempo e perscrutar o tempo para descobrir o fundamento da coisa (HEIDEGGER, 1962). Indaga-se então Luiz Costa Lima pelo fundamento da literatura, entendendo esta última como uma atividade artística e pressupondo que o porquê desta atividade, o que lhe dá sustento, deve ser procurado, segundo suas palavras, em seu “uso humano” (LIMA, 1966, p. 15). Esta afirmação, diga-se logo, é extremamente problemática. Mas, não vamos ainda nos deter no que esse “uso humano” como fundamento possa significar como posição filosófica de base. Implicaria, já, em descerrar toda uma concepção de literatura por enquanto apenas em formação. Vale, porém, considerar o modo como nosso jovem Autor pensa o tempo da literatura (sua época atual) como forma de justificar a posição de seu problema (o porquê da literatura). Para tanto, parece importante mostrar, numa primeira aproximação, como, definindo a literatura em sua relação com o real, logra encontrar o fundamento desta atividade artística, ao mesmo tempo em que apresenta um diagnóstico de época no dorso do qual se entabula uma reflexão sobre a situação brasileira na história e na cultura contemporâneas. Na verdade, talvez fosse mais acertado dizer o seguinte: reconhecendo-se a precariedade da “situação brasileira” nos idos de 1960, e pressupondo-se, ao que tudo indica, não valer a pena manter-se na existência se não fora para superar essa precariedade, a questão crucial seria a de como a literatura poderia “servir” a esta superação, ou mais precisamente, como a literatura já seria de alguma forma uma Mosaicum 9alt.pmd 17/6/2009, 14:02 86 This page was created using NitroPDF trial software. To purchase, go to http://www.nitropdf.com/