Mulemba. Rio de Janeiro: UFRJ, V.1, n. 6, p. 147-146, jan./jul. 2012 ISSN 2176-381X “ROSITA, ATÉ MORRER”, DE LUÍS BERNARDO HONWANA: APROXIMAÇÕES AO CONCEITO DE HIBRIDAÇÃO COMO ÁREA LITERARIAMENTE AUTÓNOMA “ROSITA, ATÉ MORRER”, BY LUÍS BERNARDO HONWANA: APPROACHES TO THE CONCEPT OF HYBRIDITY AS AN AUTONOMOUS LITERARY AREA Rebeca Hernández Universidad de Salamanca RESUMO: Luís Bernardo Honwana define a linguagem utilizada na sua narrativa breve “Rosita, até morrer” como uma “área literariamente autónoma”. Este conto apresenta uma integração linguística derivada de uma conceptualização híbrida que pode ser considerada produto do processo de colonização e que representa a coexistência e as tensões entre as línguas e as culturas em contacto. Neste artigo estabelece-se uma relação entre a noção de “área literariamente autónoma” e os conceitos de terceiro espaço, proposto por Homi K. Bhabha, e de integração conceptual, definido por Fauconnier e Turner. PALAVRAS-CHAVE: conto, Honwana, pós-colonialismo, terceiro espaço, integração conceptual ABSTRACT: Luís Bernardo Honwana defines the language employed in his short story “Rosita, até morrer” as “an autonomous literary area”. The story presents a linguistic integration derived from a hybrid conceptualization which may be considered the product of colonization and which represents the coexistence of tensions between the languages and cultures in contact. This paper establishes a relation between the author’s notion of “autonomous literary area” and the concepts of third space, developed by Homi K. Bhabha, and conceptual integration, described by Fauconnier and Turner. KEYWORDS: short story, Honwana, postcolonialism, third space, conceptual integration. No seu ensaio “The Short Story. The Long and the Short of It”, Mary Louise Pratt afirma que a tradição da oralidade, no conto, é especialmente significativa naquelas culturas, cuja norma literária não é a escrita ou que sofreram um processo de colonização e a língua literária mais frequente é a língua do opressor. Através de formas como monólogos ou diálogos e através de uma representação da língua oral que rejeita a norma linguística opressora, o conto passa a ser a forma narrativa própria para a experimentação e para o desenvolvimento do discurso oral e das suas características intrínsecas. (PRATT, 1994, p.108) É neste conceito da narrativa breve como lugar para o ensaio de novas experiências linguísticas e culturais que é possível situar o conto “Rosita,