339 HU Revista, Juiz de Fora, v. 37, n. 3, p. 339-346, jul./set. 2012 Pressão arterial de mulheres praticantes de ginástica funcional Leonardo Pinheiro Botelho * Rodrigo Gomes de Souza Vale ** Gilmar Weber Senna *** Marco Antonio Lucidi **** Rodolfo Alkmim Moreira Nunes ** Estélio Henrique Martin Dantas ** Resumo O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos de uma sessão de treinamento funcional tradicional sobre a pressão arterial de mulheres adultas. Foram estudadas 24 mulheres sem experiência no treinamento funcional (25 ± 5 anos; 53 ± 6 kg; 164 ± 5 cm; IMC = 23,09 ± 2,64; 22,99 ± 3,38 % de Gordura). Todas realizaram uma aula de treinamento funcional com bola (GTF) e participaram de uma sequência de controle (SC). Foram observadas a pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD) nas seguintes situações: antes, logo após, 10, 20, 30, 40, 50 e 60 minutos após o treinamento. A ANOVA (análise de variância) não mostrou diferenças significativas na PAS entre as seqüências realizadas, contudo, observou-se uma redução significativa (p<0,05) a partir do vigésimo minuto em relação ao repouso (Δ% = 8,00%, p = 0,001). Essa diminuição perdurou até e inclusive a última aferição da PAS (Δ% = 6,87%, p = 0,02). Na PAD os resultados foram significativamente menores a partir do décimo minuto em relação ao repouso (Δ% = 5,80%, p = 0,0002), e se mantiveram até a ultima verificação (Δ% = 5,87%, p = 0,0001). Em relação ao momento logo após o exercício a PAD apenas alterou-se significativamente no trigésimo (Δ% = 5,85%, p = 0,0004) e quinquagésimo minuto (Δ% = 4,14%, p = 0,006), mostrou-se reduzida. O treinamento funcional com bola promoveu uma diminuição nos níveis de PAS e PAD em mulheres normotensas. Palavras-chave: Exercício. Pressão arterial. Treinamento. Saúde. * Universidad de la Republica – Montevidéo / Uruguai. E-mail: leonar.pinheiro@ig.com.br ** Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) –Laboratório de Biociências da Motricidade Humana (LABIMH) - Rio de Janeiro *** Universidade Federal do Rio de Janeiro (EEFD/UFRJ) – Escola de Educação Física e Desportos - Rio de Janeiro / Brasil **** Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET) – Rio de Janeiro / Brasil 1 IntRodução Um dos principais fatores de risco para a doença cardíaca é a elevação da pressão arterial (PA) (AME- RICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2006). A redução nos valores da PA, mesmo em normotensos, é importante para a diminuição dos riscos de doenças cardíacas (CHOBANIAN et al., 2003; VASAN et al., 2001). Alguns estudos verificam reduções na pressão arterial sistólica (PAS) e na dias- tólica (PAD) em diferentes critérios para a realização do treinamento físico (JONES et al., 2008; MILLAR et al., 2008). Assim, o exercício físico regular pode ser parte da prevenção e tratamento da hipertensão por métodos não farmacológicos (POLITO et al., 2003; SIMÃO; FLECK; POLITO, 2005). Outras atividades, como treinamento de força (PEDROSO et al., 2007) e hidroginástica (COELHO; POLITO, 2009), podem proporcionar resultados positivos para o controle da PA. Pickering e outros (2005) comenta que a prática regular de exercícios tem se mostrado eficaz nesta variável de estudo em mulheres. Neste sentido, a ginástica funcional (GF) é um tipo de treinamento que visa à melhora das capacidades físicas funcionais para transferência dos benefícios e adaptações para a vida cotidiana ou para determinado gesto esportivo estimulando a proprio- cepção (ARRUDA; COURACCI, 2004). Dentre as capacidades físicas que são influenciadas pela GF destacam-se resistência muscular, força mus- cular, flexibilidade, coordenação, equilíbrio estático e dinâmico, que associadas ou não podem promover adaptações corporais. Sendo assim, a GF pode ser uma forma alternativa de treinamento visando benefí- cios na qualidade de vida do indivíduo, prevenções de lesões e diminuição de pressão arterial (BEHM et al., 2005; MIRANDA et al., 2005). Pois a massa muscular envolvida no treinamento pode influenciar no gra-