MICHEL FOUCAULT: PODER PRODUTIVO E DISPOSITIVO DE SEXUALIDADE DIRCEU ARNO KRÜGER JUNIOR 1 ; SÔNIA MARIA SCHIO³ 1 Universidade Federal de Pelotas dirceu.junior@ufpel.edu.br 3 Universidade Federal de Pelotas soniaschio@hotmail.com (orientadora) 1. INTRODUÇÃO A pesquisa tem por objetivo analisar a temática sobre o "poder produtivo" desenvolvida pelo filósofo francês Michel Foucault (1926 1984). Em outros termos, como esta pode ser evidenciada no dispositivo de sexualidade. Para tal, o estudo bibliográfico se centra nos escritos da década de 1970, período conhecido como “genealógico” ou, como os estudiosos do autor categorizam, “o segundo Foucault”. Obras como O Poder Psiquiátrico (1974), Os Anormais (1975), Vigiar e Punir (1975) e História da Sexualidade, vol.1: a vontade de saber (1976) compõe parte das leituras que visam a dissertar acerca da constituição do poder produtivo e da materialização deste no dispositivo de sexualidade. O primeiro ponto a ser desenvolvido refere-se ao poder produtivo. Durante os anos 1970, o autor francês buscou investigar a forma como o poder é engendrado na sociedade ocidental, principalmente na maneira em que ele está presente no âmago de um discurso efetivo que funciona como um aparato de regimento do comportamento, das atitudes e da subjetividade de cada indivíduo. Foucault lança a concepção do poder não como uma força propulsora que é emanada de um grande órgão (como o Estado), mas que ele existe em todo o lugar e de maneira fragmentada. Ou seja, na presença de uma microfísica do poder. O filósofo argumenta que o que existe no regramento social não é o poder em si de maneira uníssona, mas "relações de poder" 1 . Portanto, ninguém detém o mesmo de forma determinada, dominando-o como se ele estivesse "em suas mãos". A partir dessas relações de poder e do discurso, como mecânica elaboradora de um padrão de vida e de comportamento, é possível observar a "engenharia do poder produtivo". Com a ascendência do "poder disciplinar" 2 imbuído na tentativa de prototipificar um tipo de indivíduo, a produtividade do poder é exposta e explicita sua pretensão de produzir um ser humano capaz de sustentar as forças econômicas que permeiam os pilares da sociedade atual. A partir da ação massificadora do poder disciplinador compõe-se, assim, um ser capaz de produzir e alojar-se dentro da estrutura cerceadora e objetivamente econômica do Estado. Na pretensão de adentrar de modo definitivo na esfera subjetiva do indivíduo, escolhe-se uma de suas especificidades para modelar e adequá-la ao status normatizador político e social estipulado no discurso estatal: o dispositivo de sexualidade. Ele foi escolhido para exemplificar a fórmula de ação do poder produtivo. Assim como o dispositivo de raça e o dispositivo de segurança, o dispositivo de sexualidade, na imagem de um constructo capaz de compartimentar e 1 As relações de poder diferenciam-se de uma relação puramente dominadora, onde nesta segunda há a questão da coerção como ferramenta de dominação. Em uma relação de poder ambas as partes estão conscientizadas deste tipo de manobra e há, necessariamente, uma resistência dos indivíduos sobre a mesma relação exercida em vigor. 2 O poder disciplinar seria a transição pela qual passa o poder soberano. Nesta ocasião, o poder não é mais cocentrado nas mãos de uma figura monárquica. O poder agora, como figura disciplinar, projeta-se na forma de um discurso transformador.