Responsabilidade Social, Sustentabilidade Empresarial e Território: Abordagem Multicasos no Alentejo Maria Luísa Silva Marc Jacquinet (Orientador – Universidade Aberta) Resumo A partir dos conceitos de responsabilidade social (RS), sustentabilidade empresarial, responsabilidade social territorial (RST), apresentam-se os primeiros resultados relativos ao estudo que analisa o alinhamento entre RS de empresas e o desenvolvimento do território. Ao identificar as práticas de responsabilidade social adoptadas por organizações no Alentejo - Delta Cafés, SGPS; Embraer Portugal, SA Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas de Alqueva, S.A. (EDIA), Empresa Esporão, S.A.; Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia, SA (PACT) e Tyco Electronics,Ld.ª, verifica-se de que forma é que, em termos dos seu discurso, estas contribuem para a sustentabilidade de cada uma das empresas e para a construção de um território socialmente responsável. Palavras-Chave: Responsabilidade Social Empresarial; Responsabilidade Social Territorial; Gestão dos Stakeholders; Comunicação de Responsabilidade Social. 1. Estado da Arte Partindo do pressuposto de que acções de Responsabilidade Empresarial (RSE) vão muito além de objectivos de comunicação e marketing, certo é que há actualmente empresas, públicas e privadas, que reconhecem a sustentabilidade como estratégica em termos globais. Também por isso incluem novos valores na sua gestão, procurando uma transformação cultural que permita a afirmação dos negócios no longo prazo, envolvendo para isso os interesses de um grupo alargado de stakeholders, podendo, por isso, naturalmente ser recompensadas em termos comerciais, facto que desafia a suposta separação entre ética e sucesso do negócio. A RSE passou a ser uma necessidade estratégica das empresas, apesar de nem sempre os seus executivos compreenderem o seu papel na edificação da marca e da importância de a associar a ações sociais positivas, algo que pode revelar-se mais complexo do que operar com responsabilidade, já que isso exige a compreensão das múltiplas dimensões da RSE (Steenkamp, 2017). A título de exemplo, refira-se que 51% das Pequenas e Médias Empresas em Itália adopta a abordagem dos stakeholders, escolhendo a RSE não só por questões éticas e morais mas também porque esta melhora a imagem, ajuda a fidelizar clientes e favorece o relacionamento com funcionários e comunidade local (Longo, Mura e Bonoli, 2005). Num estudo recentemente publicado pela PWC (2018) em Portugal, conclui-se que 69% das empresas publica relatório de sustentabilidade ou relato integrado, 43% referiu os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos seus relatórios e 80% das empresas que priorizou os objectivos escolheu o ODS 13 (Ação Climática). Parece pois óbvio, que uma organização assuma o compromisso da sustentabilidade empresarial e do desenvolvimento regional sustentável, numa abordagem que considere todas as partes interessadas, combinando valor para todas elas e não só para os accionistas. “Isto exige uma nova forma de ver o mundo – uma nova forma que redefina o objectivo do negócio no seio de um sistema de mercado democrático para satisfazer os accionistas e também todos os parceiros sociais” (Laszlo, 2007, p. 51). Não podemos esquecer que “o bem-estar das regiões e a utilização da base de recursos físicos destas regiões são claramente mutuamente fenómenos interligados. Assim, é evidente que o desenvolvimento brought to you by CORE View metadata, citation and similar papers at core.ac.uk provided by Repositório Aberto da Universidade Aberta