VIII Reunión de Cuat ernario Ibérico, La Rinconada- Sevilla (2013) ______________________________________________________________________________________________________________ O REGISTO DE DIATOMÁCEAS E FORAMINIFEROS DA RIA FORMOSA (SUL DA PENÍNSULA IBÉRICA): UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A COMPREENSÃO DA EVOLUÇÃO HOLOCÉNICA DO SISTEMA LAGUNAR A. Gomes (1), L. Pereira (1), T. Boski (1), D. Moura (1), S. Connor (2), C. Sousa (1), S. Oliveira (1), P. Santana (1) (1) Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA), Universidade do Algarve, Campus de Gambelas, 8005-139 Faro, Portugal. aisgomes@ualg.pt (2) School of Geography and Environmental Science, Faculty of Arts, Monash University, Clayton VIC-3800, Australia. Abstract (A diatom and foraminifera record from the Ria Formosa Lagoon (SW Iberian Peninsula): its contribution to understanding the Lagoon’s Holocene evolution): As part of a multi-proxy study to reconstruct the Holocene evolution of the Ria Formosa Lagoon, diatom and foraminifera assemblages were analyzed in a ca. 24.6-m-deep borehole, which crossed the entire infill sequence of the local paleovalley. Except in a few samples, diatom assemblages were generally poorly preserved, whereas foraminiferal assemblages were mostly well preserved. In the core depths interval from 23.5 and 3.2 m, both proxies indicate a marine environment installed during the progressive flooding of the fluvial valley during the Holocene. Above 3.2-m, both proxies converge, indicating a mid-intertidal environment, increasingly confine during the enclosing of the lagoonal system. Palavras chave: Ria Formosa, Diatomáceas, Índice de Foraminíferos de Influencia Marinha, Portugal. Key words: Ria Formosa Lagoon, Diatoms, Foraminifera Index of Marine Influence, Portugal. INTRODUÇÃO Os sistemas lagunares costeiros são áreas de águas relativamente rasas, sujeitas às oscilações da maré, que estão total ou parcialmente separadas do mar por barreiras geralmente de areia ou cascalho (Bird, 2008). Estes sistemas morfológicos constituem entre 10 a 15% das zonas costeiras mundiais (Bettencourt, 1994; Dias et al., 2009). A Ria Formosa é um sistema lagunar de elevado valor económico e ecológico. Considera-se que a sua formação foi devida à migração das barreiras de areia na direção do continente durante a transgressão Holocénica e que estas atingiram a posição atual durante a estabilização no nível do mar a cota semelhante à presente, há cerca de 5000 anos calibrados B.P. (Boski et al., 2002; Moura et al., 2007). Desde então, o sistema sofreu alterações morfológicas em resposta a tempestades, tsunamis e variações no fornecimento de sedimentos pela deriva litoral. Andrade et al. (2004) consideram que apesar da arquitetura geral da cadeia de ilhas barreira poder refletir a morfologia herdada da plataforma, até hoje nenhum dos modelos (ex.: Pilkey et al., 1989; Bettencourt, 1994) explica completamente a morfologia atual e a dinâmica sedimentar do sistema lagunar. Em sistemas lagunares como a Ria Formosa, abundam microrganismos tais como as diatomáceas e os foraminíferos. Ambos os grupos de organismos são sensíveis às alterações ambientais (Vos e de Wolf, 1988; Scott et al., 2004). Assim, a análise do registo fóssil deixado pelas frústulas e carapaças, respetivamente, de diatomáceas e foraminíferos, permitirá inferir as alterações ambientais ocorridas neste sistema. Desta forma, este estudo tem como objetivo contribuir para uma melhor compreensão da evolução Holocénica da Ria Formosa, utilizando as associações de diatomáceas e de foraminíferos como indicadores de alterações ambientais. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO A Ria Formosa é um sistema lagunar costeiro localizado no Sul da Península Ibérica. Tem cerca de 50 km de comprimento e em frente a Faro atinge a sua máxima largura (cerca de 6 km). É um Sistema mesomareal com um regime de marés semidiurno, que está separado do mar por duas penínsulas e cinco ilhas barreira. A paleotopografia sobre a qual assenta a laguna é caracterizada pela presença de vários paleovales de rios e ribeiras que dissecaram uma superfície Plistocénica relativamente plana. METODOLOGIA Para este estudo efetuou-se uma sondagem (RF1) no interior do Sistema lagunar, junto ao trecho final de um vale fluvial (vale da Ribeira de São Lourenço), na posição 37º1’5.59’’N, 7º59’48.15’’W (Figura 1). A referida sondagem atingiu uma profundidade de 24.6 m. Ao longo do testemunho da sondagem RF1, recolheram-se amostras para a análise de Fig. 1: Localização da sondagem RF1 na Ria Formosa (Imagem do Google Earth - adaptada). brought to you by CORE View metadata, citation and similar papers at core.ac.uk provided by Sapientia