H $%)3-56&%,'6 # %-&#(4#-.I#6 $# #-8#(1)3#1 ,#-&()$)6 -' 2(',#66' 8)1%*%)( $) 2#66') ,'1 #6J0%C'8(#-%) | José Carlos Carvalho 1 | RESUMO Considerando a evidência sobre os doentes com es- quizofrenia que têm lhos, e a experiência acumulada pelo estudo de investigação sobre a esquizofrenia na família e repercussões nos lhos e cônjuges, do pre- sente estudo emerge um conjunto de resultados poten- ciadores de informação útil para enfermeiros de saúde mental no que concerne a diagnóstico, critérios de re- sultado e intervenções, contribuindo para uma abor- dagem mais ecaz ao processo familiar, na atenção ao doente com esquizofrenia. ABSTRACT Considering the evidence on patients with schizophre- nia who have children, and the experience gathered by the research held on schizophrenia in the family and its impact on children and spouses, from the present study emerges a set of results enhancers of useful information for mental health nurses, regarding diagnosis, interven- tions and outcomes criteria, contributing to a more ef- fective approach to the family process focusing on the patient with schizophrenia. KEYWORDS: Schizophrenia; Family; Nursing; Fam- ily Process 1 Professor Adjunto, Doutor em Ciências de Enfermagem, Escola Superior de Enfermagem do Porto, zecarlos@esenf.pt Submetido em: 30-06-2012 – Aceite em 20-10-2012 Citação: Carvalho, J. C. (2012). Diagnósticos e intervenções de enfermagem centradas no processo familiar, da pessoa com esquizofrenia. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, (8), 52-57 PALAVRAS-CHAVE: Esquizofrenia; Família; Enfer- magem; Processo Familiar. É crescente a preocupação dos prossionais de saúde com a saúde mental. Os enfermeiros têm um papel fundamental na reabilitação das pessoas com perturba- ções psiquiátricas, sendo que, para tal, é necessária uma maior sensibilização nesta área, já defendida no Plano Nacional de Saúde Mental 2007-2016 (Portugal, 2008). Este estudo aborda, de forma multidisciplinar, temáticas de saúde mental, ciências médicas, enfermagem e com- portamento, contribuindo para uma compreensão mais global da questão do processo familiar e saúde mental e onde o mais importante não será delimitar áreas de intervenção de cada prossional de saúde mental, mas sim compreender e potenciar a sua complementaridade. No entanto e apesar da complementaridade, na prática de enfermagem, revela-se cada vez mais importante o investimento numa área de conhecimentos próprios, que permita aos prossionais de enfermagem tomarem decisões autónomas (Carpenito-Moyet, 2009). A identicação dos focos de atenção, a denição dos di- agnósticos de enfermagem e consequentes intervenções autónomas, são umas das ferramentas mais importantes para a enfermagem enquanto prossão. Assim, esta in- vestigação visou o estudo do doente e da sua família, focalizou-se nos doentes com esquizofrenia que têm lhos e, de entre destes, aqueles que mantêm contacto com eles. Um dos nossos objetivos centrou-se na contribuição para o melhor conhecimento das características e ne- cessidades destas famílias, podendo contribuir para a denição de possíveis estratégias de intervenção no doente/família. O conhecimento das características da família é funda- mental, uma vez que cada uma tem as suas especici- dades e singularidades, pelo que as abordagens devem ter em conta aspetos do desenvolvimento da família, do estado do doente, da doença, da idade dos lhos, entre outros. No tratamento da pessoa com esquizofrenia, é vital haver uma continuidade dos cuidados, para que seja possível uma gestão ecaz ao regime terapêutico e consequente reabilitação e integração do doente na sociedade, sendo fundamentais as redes de suporte em que a família pode ser um dos elos mais fortes. Sequeira (2006) defende que, associada à continuidade dos cuidados da equipa de enfermagem, existe uma re- valorização das práticas dos enfermeiros, tendo como consequência a promoção da saúde mental, a redução da morbilidade, a diminuição dos custos associados, a maior satisfação por parte dos prossionais e, sobretu- do, ganhos em saúde. Incorporamos as denições da CIPE®, no que se refere ao diagnóstico “rótulo atribuído por um enfermeiro à decisão sobre um fenómeno que constitui o foco das intervenções de enfermagem” e à intervenção “ação to- mada em resposta a um diagnóstico de enfermagem de modo a produzir um resultado de enfermagem” (ICN, 2011, p. 16). 52 | Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, 8 (DEZ.,2012)