einstein. 2007; 5(3):268-272 268 Pfeferman A, Magalhães MA, Brito Júnior FS, Nomura C, Almeida BO, Abizaid A, Perin MA RELATO DE CASO RESUMO Apresenta-se um caso de dissecção espontânea da artéria coronária, em mulher de 49 anos, sem fatores tradicionais de risco cardiovascular. São discutidos etiologia e tratamento. Foi submetida à intervenção coronariana percutânea primária na artéria descendente anterior esquerda sem implante de stent e com resolutividade angiográfica completa. Descritores: Aneurisma dissecante/diagnóstico; Aneurisma coronário/ diagnóstico; Infarto do miocárdio; Relatos de casos [Tipo de Publicação] ABSTRACT A case of spontaneous coronary artery dissection in a 49-year-old woman is presented. She did not present the classical cardiovascular risk factors. Etiology and treatment are discussed. She underwent primary percutaneous coronary intervention of the left anterior descending artery with no stenting and had complete angiographic resolution. Keywords: Aneurysm, dissecting/diagnosis; Coronary aneurysm/ diagnosis; Myocardial infarction; Case reports [Publication type] INTRODUÇÃO A dissecção espontânea da artéria coronária (SCAD, abreviação de spontaneous coronary artery dissection) é uma causa rara de síndrome coronariana aguda que acomete pacientes jovens, especialmente mulheres sem os fatores tradicionais de risco cardiovascular (1-2) . É uma síndrome clinicamente relevante com uma mortalidade a curto prazo descrita maior do que 40% (3) . A etiologia exata permanece desconhecida. Entretanto, angiíte média eosinofílica (3) , degeneração do colágeno induzida pela gravidez (4) , anticorpos antifosfolipídios e deficiência de enzimas relacionada ao metabolismo da matriz extracelular (5) são mecanismos subjacentes possíveis. A SCAD geralmente acomete uma grande extensão do epicárdio durante a fase aguda. Como resultado, o tratamento percutâneo pode ser desafiador, pois o risco de passagem do cateter no falso lúmen e a necessidade de colocação de stent em um longo segmento (6) aumentam o risco do procedimento de referência e a probabilidade de reestenose tardia. De outro lado, a cura espontânea da SCAD foi documentada (7-8) , mesmo em casos com dissecção espontânea de artérias coronárias em múltiplas localizações (9) , o que torna o tratamento clínico uma opção importante para estes pacientes. Entretanto, a SCAD, na presença de infarto do miocárdio com elevação do segmento ST (STEMI), dor torácica persistente ou comprometimento hemodinâmico, deve ser abordada de modo que restabeleça o fluxo sangüíneo coronariano imediatamente. Relatamos o caso de uma paciente jovem com infarto anterior do miocárdio com elevação do segmento ST em razão de SCAD, submetida à intervenção coronariana percutânea primária (ICP) da artéria descendente anterior (DA) esquerda sem o implante de stent e a sua completa resolução angiográfica. RELATO DE CASO Uma paciente afro-americana de 49 anos de idade, residente nos EUA e morando temporariamente em São Paulo, Brasil, procurou o serviço de emergência com dor torácica intensa Dissecção espontânea da artéria coronária: resolução angiográfica completa sem colocação de stent Spontaneous coronary artery dissection: complete angiographic resolution without stenting Abraham Pfeferman 1 , Marco Aurelio Magalhães 2 , Fábio Sândoli Brito Júnior 3 , César Nomura 4 , Breno Oliveira Almeida 5 , Alexandre Abizaid 6 , Marco Antonio Perin 7 1 Professor adjunto de Cardiologia da Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, São Paulo (SP), Brasil. 2 Médico, Departamento de Cardiologia Intervencionista, Hospital Israelita Albert Einstein – HIAE, São Paulo (SP), Brasil. 3 Médico, Professor assistente de Cardiologia, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, Departamento de Cardiologia Intervencionista, Hospital Israelita Albert Einstein – HIAE, São Paulo (SP), Brasil. 4 Médico, Departamento de Radiologia, Hospital Israelita Albert Einstein – HIAE, São Paulo (SP), Brasil. 5 Médico, Departamento de Cardiologia Intervencionista, Hospital Israelita Albert Einstein – HIAE, São Paulo (SP), Brasil. 6 Médico, Professor assistente de Cardiologia do Instituto Dante Pazzaneze, Departamento de Cardiologia Intervencionista, Hospital Israelita Albert Einstein – HIAE, São Paulo (SP), Brasil. 7 Médico, Professor assistente de Cardiologia, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, Departamento de Cardiologia Intervencionista, Hospital Israelita Albert Einstein – HIAE, São Paulo (SP), Brasil. Autor correspondente: Abraham Pfeferman – Rua Rio Preto, 78 – 8º andar – Cerqueira Cesar – CEP 01426-010 – São Paulo (SP), Brasil – Tel.: 11 3747-3316; 3088-7402 – e-mail: abrafefe@terra.com.br Data de submissão: 1/6/2007 – Data de aceite: 14/8/2007