107 EVIDÊNCIAS DA FRAGMENTAÇÃO DA POLÍTICA DE REDUCIONISMO ESTATAL: O mito da reforma administrativa gerencial brasileira Ítalo Fittipaldi Universidade Federal da Paraíba Cletiane Medeiros Araújo Universidade Federal de Pernambuco Saulo Felipe Costa Universidade Federal de Pernambuco Introdução O diagnóstico de crise fiscal do E stado originária de uma sobrecarga de demanda de políticas públicas de natureza social – e o declínio da governabilidade dela decorrente – conduziu ao receituário de reformas nas administrações públicas ancorado em iniciativas de redução do escopo das policies e da dimensão estatal (Crozier; Huntington; Watanuki, 1973). Segundo as “análises reducionistas”, as tensões resultantes do crescimento das demandas sociais e do custo de manutenção/expansão do welfare state geraram crises de governança que só poderiam ser revertidas com o aumento da capacidade operacional do E stado, via redução da intervenção estatal na economia e diminuição de seu corpo burocrático. A estrutura organizacional do E stado encontrava-se inchada, cara, e com defasada responsividade às demandas sociais crescentes. Assim, o paradigma da administração pública gerencial (new public administration ), identificou, dentre outros fatores, no corte da despesa de custeio do processo de produção de políticas públicas um importante vetor para a elevação do desempenho estatal. Guiado pelo arcabouço teórico da nova economia institucional (Downs, 1967; Niskanen, 1971; Williamson, 1975, 1985), o modelo da nova administração pública ancorou a reestruturação organizacional das ISSN 0104-8015 P O LÍTIC A & TR ABALHO Revista de Ciências Sociais, n. 35 Outubro de 2011 - pp.107-128