COMUNICAÇÕES Design e informação no Mercosul Joice Joppert Leal Cyntia Malaguti Resumo O texto tem como tema principal o Mercosul como agente de integração dos países do cone sul da América Latina, provocando, desta forma, transformações principalmente no setor produtivo. A indústria, diante de um mercado potencial de 200 milhões de consumidores, encontra no design uma ferramenta estratégica para adequar seus produtos e serviços às necessidades da sociedade. O ponto de partida desse processo é a capacidade de adquirir informações valiosas e diferentes, no menor tempo possível, ou a capacidade de gerar estas informações. Quem não for capaz não sobreviverá, ou não terá uma posição de liderança em seu setor. Palavras-chave Design; Informação; Invenção; Inovação; Competitividade; Progresso tecnológico. INTRODUÇÃO O Mercosul vem, progressivamente, afirmando-se como uma realidade po- lítico-comercial de integração dos paí- ses do Cone Sul da América Latina, inserindo-se no movimento de globalização e unificação de merca- dos. Este movimento tem levado a pro- fundas transformações em diversos setores, notadamente no setor produ- tivo. A indústria encontra-se diante de um novo desafio: um mercado potencial de 200 milhões de consumidores. A regionalização dos mercados exige um entendimento das necessidades e particularidades, costumes e gostos de cada uma dessas sociedades, de um lado, e, de outro, agilidade e eficiência para atendê-las, em face do significa- tivo aumento da concorrência, da disputa por fatias desses mercados. PRODUTOS E SERVIÇOS PARA NO- VOS MERCADOS Torna-se cada vez mais imperativa para a sobrevivência e sucesso de uma empresa a adequação de seus produ- tos e serviços a esses mercados, com valor agregado, características diferenciadas, mediante inovações tecnológicas e materiais, valores e as- pectos culturais a preços competitivos, otimização do uso de recursos, padro- nização de componentes, racionaliza- ção de métodos de produção, além do atendimento a padrões e normas in- ternacionais. O design es\á sendo reconhecido e uti- lizado, cada vez mais intensamente, como uma ferramenta estratégica pe- las empresas, com esse objetivo. As- sim é que hoje é notória a importância dada ao design em países de grande projeção internacional, como o Japão, a Alemanha e a Itália, bem como em outros que vêm conquistando novos mercados como a Espanha e os Tigres Asiáticos. Vale observar ainda que o design pode assumir diferentes funções prioritárias, de acordo com a realidade do país e de seu cenário concorrencial específi- co. Segundo pesquisa comparativa realizada na América Latina e junto aos Tigres Asiáticos publicada pela Univer- sidade Metropolitana de Manchester, as opiniões sobre as principais funções do design sobre os fatores propulso- res do seu desenvolvimento reforçam sua importância estratégica, no contexto do Mercosul (tabela 1 e 2, a seguir). No Brasil, já existe, há algum tempo, em alguns setores industriais e na área governamental, uma compreensão cla- ra da necessidade de se investir no desenvolvimento do design, principal- mente no Ministério da Ciência e Tecnologia. Esta compreensão se tra- duziu na promoção de diferentes ações, desde a implantação de Cen- tros de Pesquisa à criação do Núcleo de Informação Tecnológica em Design junto à rede de núcleos do PADCT/ IBICT, sediado pela Fiesp/Ciesp- Detec, além de diversos programas de fomento à capacitação de recursos humanos na área. E, mais recente- mente, o próprio presidente da Repú- blica abraçou a bandeira, lançando o Programa Brasileiro do Design em no- vembro de 1995 como um dos instru- mentos da nova política industrial e de comércio exterior, sob a coordenação do Ministério da Indústria, do Comér- cio e do Turismo. Ci. Inf., Brasília, v. 25, n. 1, p. 150-153, jan./abril 1996. 150