Mulemba. Rio de Janeiro: UFRJ| Volume 10 | Número 19 | jul.-dez. 2018. ISSN:2176-381X A revista Mulemba utiliza uma licença Creative Commons - Atribuição- Não Comercial 4.0 Internacional (CC-BY-NC). 52 a ReeScRITa Da HISTÓRIa eM O ALEGRE CANTO DA PERDIZ e BECOS DA MEMÓRIA THE REWRITING OF THE HISTORY IN O ALEGRE CANTO DA PERDIZ AND BECOS DA MEMÓRIA LA REESCRITURA DE LA HISTORIA EN O ALEGRE CANTO DA PERDIZ Y BECOS DA MEMÓRIA Pauline Champagnat 1 ReSUMo: Este artigo pretende investigar possíveis reescritas da história ofcial a partir do ponto de vista dos afro-brasileiros em Becos da Memória (2017), de Conceição Evaristo e dos moçambicanos em O Alegre Canto da Perdiz (2008), de Paulina Chiziane. Até então, a história tinha sido contada a partir do ponto de vista hegemônico das elites das sociedades brasileiras e moçambicanas. Pretendemos fazer uma ligação entre a reescrita da história e o resgate de imagens míticas pré-coloniais moçambicanas em O Alegre Canto da Perdiz. Numa perspectiva de análise comparada, desenvolveremos o nosso raciocínio a partir de dois eixos temáticos: a representação da escola em Becos da memória e o retorno às memórias subterrâneas míticas em O Alegre Canto da Perdiz. Para sustentar nosso raciocínio, nos apoiaremos nas teorias de Hall (2007; 2013), Mucchieli (1986), Derive (2005), Pollak (1993) e Eliade (1963). A análise nos permitirá chegar à conclusão de que o signifcado de reescritas da história vai muito além da aplicação da lei impondo o ensino da história da África, e terá consequências em todos os segmentos das sociedades brasileiras e moçambicanas. PaLaVRaS-cHaVe: reescrita, história, Becos da memória, mitos de origem, O Alegre Canto da Perdiz. 1 Professora Adjunta no Departamento de Português da Universidade de Rennes 2. Doutoranda em Literatura (português) na Universidade de Rennes 2 (ERIMIT), sob a orientação de Rita-Olivieri Godet (IUF- ERIMIT-Rennes 2) e Pires Laranjeira (FLUC). pauline.champagnat@hotmail.fr Recebido em: 29/09/2018 / Aceito em: 15/10/2018