1 Anuário de Literatura, Florianópolis, v. 27, p. 01-07, 2022. Universidade Federal de Santa Catarina. ISSN 2175-7917. DOI http://doi.org/10.5007/2175-7917.2022.e92004 MANTENDO UM CORPO-TERRITÓRIO: GIRAR PARA CHEGAR Keeping a body-territory: spinning to arrive Desirée Francine dos Santos https://orcid.org/0000-0001-6298-5915 Elton da Silva Rodrigues https://orcid.org/0000-0002-1890-7482 Isabele Soares Parente https://orcid.org/0000-0003-0561-5488 Jair Zandoná http://orcid.org/0000-0002-4301-9436 Suzy Zaparoli https://orcid.org/0000-0003-1813-9599 Tânia Regina Oliveira Ramos http://orcid.org/0000-0002-2477-0419 Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Literatura, Florianópolis, SC, Brasil. 88040-900 ppglitufsc@gmail.com De todos os amores de minha vida, de todos os muitos amores que me fizeram a vida; está a minha terra, o lugar, os lugares do meu país. De todos esses amores, às vezes dores, elas marcando meu corpo ceivando-o e cevando-o em sangue e carne vigorosos. “De todos os amores... [1990]”, Beatriz Nascimento 1 Encontrar na terra um amor a ser narrado é um dos repertórios da poeta que encontra em si um “corpo-território” a ser esculpido em palavras. Beatriz Nascimento tratou de falar dos territórios e quilombos como um propósito quase que inevitável, já que, ao se afirmar “atlântica” 2 , a escritora sergipana cavou territorialmente a sua trajetória narrativa. Aos sete anos, ela e sua família já traçavam o mesmo percurso que a população nordestina percorria 1 Aforismo publicado em Todas [as] distâncias: poemas, aforismos e ensaios de Beatriz Nascimento (2015). 2 Afirmação realizada no documentário Ôrí de narração e autoria de Beatriz Nascimento, dirigido por Raquel Gerber.