ARGUMENTOS - Revista de Filosofia/UFC. Fortaleza, ano 15, n o 29 - jan.-jun. 2023 86 Franz Brentano e as crises filosóficas nas quatro fases da sua história - Evandro Oliveira de Brito A Revista de Filosofia DOI: 10.36517/Argumentos.29.7 e-ISSN: 1984-4255 Franz Brentano e as crises filosóficas nas quatro fases da sua história Franz Brentano and the philosophical crises in the four phases of its history Evandro Oliveira de Brito http://orcid.org/0000-0003-4121-1106 - E-mail: evandro@unicentro.br RESUMO Este trabalho analisa a polêmica “teoria das quatro fases da filosofia”, tal como foi publicada por Franz Brentano em 1895, com o propósito de apresentar o papel das crises filosóficas no interior do movimento histórico-filosófico ocidental. Descrevemos, primeiramente, o modo como Brentano assume a clássica divisão da história em três períodos (antigo, medieval e mo- derno), para subdividir cada um desses períodos em quatro movimentos filosóficos distintos (movimento filosófico de interesse puro, movimento filosófico de interesse prático, movi- mento filosófico cético e movimento filosófico místico). Nossa análise explicitará que, segundo a tese principal ali defendida por Brentano, (a) os movimentos filosóficos se sucedem no inte- rior de cada período histórico em função de uma crise intrínseca ao próprio processo histórico da filosofia e (b) o que define a crise filosófica é o modo como cada um dos movimentos filo- sóficos, constituintes da segunda, terceira e quarta fases, diferem do movimento filosófico constituinte da primeira fase. Como conclusão da nossa análise, defenderemos que os pressu- postos históricos filosóficos brentanianos da sua “4ª tese de Habilitação” são os critérios funda- mentais da filosofia ascendente encontrados nos métodos de Aristóteles, Tomas de Aquino, Bacon e Descartes. Em outras palavras, sustentaremos que se tratava, para Brentano, de reco- nhecer em tais métodos filosóficos o seu poder de sustentar aquele tipo de percepção capaz de garantir evidência ao conhecimento, pois esse seria o modo de evitar que a filosofia (i) substituísse seu interesse teórico pelo interesse prático, (ii) se entregasse ao ceticismo, ou ainda, (iii) sucumbisse ao misticismo. Palavras-chave: Franz Brentano. História da filosofia. Crise.