03/01/2023 16:54 Revista Educação Pública - A utilização da história em quadrinhos Turma da Mônica como ferramenta pedagógica para o ensino sobre a covid-19 https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/22/5/a-utilizacao-da-historia-em-quadrinhos-turma-da-monica-como-ferramenta-pedagogica-para-o-ensino-sobre-a-covid-19 1/7 A utilização da história em quadrinhos Turma da Mônica como ferramenta pedagógica para o ensino sobre a covid-19 Fabiana da Conceição Pereira Tiago Professora de Biologia (Departamento de Ciências Biológicas, Cefet/MG) Rosália C. Sanábio de Oliveira Professora de Geografia (Departamento de Geociências, Cefet/MG) Viviane Moreira Maciel Professora de Geografia (Instituto Coração de Jesus) Érico Anderson de Oliveira Professor de Geografia (Departamento de Geociências, Cefet/MG) As primeiras expressões gráficas executadas pelo homem, certamente, foram aquelas produzidas nas paredes das cavernas, uma maneira dos conhecimentos necessários à sobrevivência serem passados de geração a geração, antes mesmo do surgimento da comunicação pela fala. Luyten e Lovetro (2020) afirmam que as primeiras histórias em quadrinhos da história humana foram as sequências desenhadas nas paredes das cavernas. Também reiteram que, através dos hominídeos, foi “inaugurada a primeira biblioteca do mundo. Ao invés de livros, havia sequências desenhadas, ou seja, os quadrinhos” (Luyten; Lovetro, 2020, p. 12). Na contemporaneidade, as histórias em quadrinhos (HQ), enquanto forma de manifestação cultural, permanecem como “comunicação ativa do ser humano, tendo uma mesma base estrutural” do passado, “essa linguagem não pode ser desprezada em nossa evolução e nem ser vista como mera diversão” (Luyten; Lovetro, 2020, p. 13). O uso das HQ no ambiente escolar não é recente, pois docentes do século passado utilizavam-nas na escola como material para auxiliar no processo de ensino-aprendizagem. Tico-Tico foi a primeira revista em quadrinhos publicada no Brasil, em 1905, e ela possuía, inclusive, um segmento educacional. Nas décadas de 50 e 60 do século XX, foram disponibilizadas as revistas Ciência em Quadrinhos e Enciclopédia de Quadrinhos cujo objetivo era o ensino das ciências para a juventude. Posteriormente, no início dos anos 60, Maurício de Sousa publicou suas primeiras HQ (Cabello et al., 2010). Apesar do avanço das HQ, no Brasil, o préstimo das revistas em práticas pedagógicas não era considerado adequado e as revistas eram vistas com aversão por muitos profissionais da área de educação, isto é, eram marginalizadas. A história dos quadrinhos, na escola, modificou-se e, atualmente, passou a ser objeto de estudos acadêmicos, mirada como um meio de interlocução diversa, reunindo imagens e palavras, resultando em um diálogo criativo, inteligente e, na maioria das vezes, bem-humorado com o leitor (Neto; Silva, 2015). A popularização das HQ, com finalidades educacionais, principiou-se ainda no século XX, quando cartilhas educativas, romances e contos ganharam o gosto popular. Elas apresentam, desde então, um caráter de comunicabilidade verbal, já os quadrinhos apresentam uma proposta diferenciada, aproveitando a linguagem verbal e a não verbal. Eisner (1999) define as HQ como arte sequencial, empregando imagens (linguagem não verbal), com cenas, personagens e a descrição dos pensamentos e das falas dos atores da história ali narrada (linguagem verbal), relacionando distintas mensagens e discursos dentro de um mesmo universo (Mendonça, 2008). A linguagem textual das HQ é feita por meio de balões, que usam os aparatos de formatação do texto para dar a ideia de importância, de entonação e de emoção. Também, há a aplicação de símbolos associados às exteriorizações faciais das personagens durante suas interações com outros protagonistas da narrativa e com o leitor. Para o entendimento do enredo, o aluno deve interpretar tanto a linguagem simbólica quanto as palavras, em conjunção com o cenário onde acontece a história, resultando em uma instrução participante. Dessa feita, insere-se o estudante na sociedade como ser reflexivo, sendo um excelente instrumental a ser aplicado ao ensino (Neto; Silva, 2015). Para que o processamento do aprendizado tenha sentido e seja significativo, é determinante que o discente “queira aprender” (Pelizzari et al., 2002). A alfabetização científica deve florescer como um eixo transversal que perpassa todas as disciplinas – Português, Geografia, Ciências, Matemática. Mais do que a leitura em si mesma e suas diferentes linguagens e arcabouços que as expressam, a HQ é uma delas, como possibilidade de leitura do mundo. Embora, como professores, sejamos formados em determinada licenciatura que nos dá uma visão particularizada do conhecimento, para ampararmos nossos alunos, precisamos transpor os limites da formação específica e nos concatenarmos a outros saberes, fazendo uma mescla de correlações e auxiliando os estudantes a “raciocinar sobre”. Helena Callai (2005), ao expor o que seria aprender Geografia, no Ensino Fundamental, esclarece a respeito de “ler o mundo da vida, ler o espaço”: ISSN: 1984-6290 Qualis B1 - avaliação CAPES 2020-2024 DOI: 10-18264/REP