R. bras. Bioci., Porto Alegre, v. 10, n. 2, p. 157-163, abr./jun. 2012 ARTIGO ISSN 1980-4849 (on-line) / 1679-2343 (print) Revista Brasileira de Biociências Brazilian Journal of Biosciences I n s t i t u t o d e B i o c i ê n c i a s U F R G S Atividade genotóxica de extratos etanólicos de plantas do gênero Ocotea Zaira da Rosa Guterres 1 , Ana Francisca Gomes da Silva 1* , Maria José de Camargo 2 , Cláudio Rodrigo Nogueira 2 , Fernanda Rodrigues Garcez 2 , Walmir Silva Garcez 2 e Mário Antônio Spanó 3 1. Unidade Universitária de Mundo Novo, Grupo de Estudo de Ciências Ambientais e Educação (GEAMBE), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). BR 163, Km 20,2. CEP 79980-000, Mundo Novo, Mato Grosso do Sul, Brasil. 2. Departamento de Química, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Av. Senador Filinto Müller, 1555, Cidade Univer- sitária, CEP 79074-460, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil. 3. Instituto de Genética e Bioquímica, Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Av. Pará, 1720, Campus Umuarama, CEP 38400- 902, Uberlândia,Minas Gerais, Brasil. *Autor para contato. E-mail: ana.francisca@ig.com.br INTRODUÇÃO O uso de plantas como recurso terapêutico é uma prática comum na medicina popular e tem aumentado acentuadamente nas últimas décadas. Apesar da ampla utilização das plantas medicinais, poucos estudos toxi- cológicos e genotóxicos de extratos e metabólitos se- cundários, são encontrados para plantas pertencentes ao gênero Ocotea, o que pode signifcar maior potencial de risco à saúde humana, uma vez que algumas plantas podem apresentar propriedades tóxicas e genotóxicas (Marques et al. 2003). Espécies do gênero Ocotea, um dos mais expressi- vos da família Lauraceae, apresentam ampla dispersão no cerrado brasileiro e muitas delas são empregadas na medicina popular como anti-reumática, depurativas, tô- nicas e sudoríferas (Moraes 2005). Representantes deste gênero produzem diversos metabólitos secundários destacando-se os alcalóides, lignanas e neolignanas (Funasaki et al. 2009, Zanin & Lordello 2007, Silva et al. 2002), os quais comumente apresentam diferentes bioatividades, tais como citotóxi- ca (Garcez et al. 2011, Hoet et al. 2004), antiinfamató- ria (Zschocke et al. 2000a,b), antiprotozoal (Fournet et al. 2007), e preventivas contra agregação plaquetária in vitro (Tognolini et al. 2006). Sendo assim, as espécies de ocorrência em Mato Grosso do Sul, Ocotea acutifolia (Nees) Mez, Ocotea lancifolia (Schott) Mez e Ocotea minarum (Meissn) Mez. tiveram seus estudos químicos realizados e a par- tir de O. acutifolia, foram isolados além de um alcalói- de morfnano, vários alcalóides aporfnóides, entre eles: ocoteína, dicentrina e talicminina, (Garcez et al. 2011), Recebido: 27 de junho de 2011 Recebido após revisão: 01 de abril de 2012 Aceito: 10 de abril de 2012 Disponível on-line em http://www.ufrgs.br/seerbio/ojs/index.php/rbb/article/view/1952 RESUMO: (Atividade genotóxica de extratos etanólicos de plantas do gênero Ocotea). Plantas do gênero Ocotea são co- mumente utilizadas pela população como medicamento, porém são escassas as pesquisas sobre a atividade genotóxica de extratos e compostos químicos obtidos de plantas desse gênero. No presente trabalho foi avaliado o potencial genotóxico (mutagênico e recombinogênico) de extratos etanólicos obtidos das folhas de Ocotea acutifolia, Ocotea lancifolia e Ocotea minarum, que ocorrem no estado de Mato Grosso do Sul. A atividade genotóxica destas plantas foi investigada por meio do SMART (Somatic Mutation And Recombination Test) em células de asas de Drosophila melanogaster. Nas concentrações testadas os extratos de O. lancifolia e O. minarum não apresentaram atividade genotóxica, por outro lado o extrato de O. acutifolia demonstrou elevado potencial genotóxico e induziu altas frequencias de recombinação mitótica. Esta diferença de atividade parece estar relacionada à concentração e as distintas classes de metabólitos secundários encontradas em cada extrato. O pronunciado potencial genotóxico apresentado por O. acutifolia demonstra que, apesar do uso freqüente de plantas do gênero Ocotea, são imprescindíveis estudos farmacológicos destas e outras espécies de plantas, a fm de caracterizar os possíveis efeitos adversos. Palavras-chave: Mutagenicidade, recombinação mitótica, SMART, Drosophila melanogaster. ABSTRACT: (Genotoxic activity of ethanol extracts plants of the genus Ocotea). Ocotea are commonly used by population as a medicine, however there are few research is on the genotoxic activity of extracts and compounds obtained from plants of this genus. The present study examined the genotoxic potential (mutagenic and recombinogenic) of ethanol extracts obtained from the leaves of Ocotea acutifolia, Ocotea lancifolia and Ocotea minarum from in Mato Grosso do Sul state. Genotoxic ac- tivity of the plants was investigated by the Somatic mutation and Recombination Test (SMART) in wing cells of Drosophila melanogaster. Extracts of O. lancifolia and O. minarum showed no genotoxic activity, at the concentrations used. Otherside, the extract of O. acutifolia showed higher genotoxic potential and induced high frequencies of mitotic recombination. This difference in activity seems to be related to the presence of different classes of secondary metabolites and their concentra- tions in each extract. The pronounced genotoxic potential presented by O. acutifolia showed that, despite the frequent use of plants of the genus Ocotea pharmacological studies of these and other plant species are essential in order to characterize the possible adverse effects. Key words: Mutagenic, recombination mitotic, SMART, Drosophila melanogaster.