Os «fingidos» no grande órgão de Tibães, entre ilusão e matéria Joana Fanico Departamento de Conservação e Restauro (DCR), Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), Universidade Nova de Lisboa (UNL), Campus da Caparica, 2829-516 Caparica, Portugal – j.fanico@campus.fct.unl.pt Agnès Le Gac* Departamento de Conservação e Restauro (DCR), e Laboratório de Instrumentação, Engenharia Biomédica e Física da Radiação (LIBPhys), Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), Universidade Nova de Lisboa (UNL), Campus da Caparica, 2829-516 Caparica, Portugal – *autor de correspondência: alg@fct.unl.pt Catarina Miguel Laboratório HÉRCULES, Instituto de Investigação e Formação Avançada e Escola de Ciências e Tecnologia, Universidade de Évora (UE), 7000-809 Évora, Portugal – cpm@uevora.pt António Candeias Laboratório HÉRCULES, Instituto de Investigação e Formação Avançada e Escola de Ciências e Tecnologia, Universidade de Évora (UE), 7000-809 Évora, Portugal – candeias@uevora.pt Resumo O surgimento da organaria em Portugal, e do sentimento subjacente ao espírito religioso da época, permitiu a proliferação de órgãos promovendo obras de qualidade artística e musical incomparaveis. Um dos mais belíssimos exemplares é o grande órgão do Mosteiro de São Martinho de Tibães. Constitui uma das mais significativas expressões do Rococó no plano da arte da talha e da decoração de mobiliário, com o recurso sistemático à imitação pictórica de materiais nobres, assim como uma excelente fonte documental quanto à sua execução. Com este estudo pretende-se compreender a técnica dos marmoreados fingidos. Tendo em conta o facto de existir no órgão três elementos visualmente semelhantes mas materialmente bem separados: a caixa, a varanda e a bacia, tratou-se também de perceber se os respectivos revestimentos pictóricos foram feitos ou não pelos mesmos pintores. Foram consultadas várias fontes e tratados existentes da época, e estudadas trinta amostras por técnicas laboratoriais complementares. Palavras-chave: Órgão; Tipologia decorativa; Fingido; Marmoreado; Século XVIII brought to you by CORE View metadata, citation and similar papers at core.ac.uk provided by Repositório da Universidade Nova de Lisboa