29 HU Revista, Juiz de Fora, v. 36, n. 1, p. 29-36, jan./mar. 2010 Cirurgia Bariátrica: a trajetória de mulheres obesas em busca do emagrecimento Marcela Rodrigues de Castro * Maria Elisa Caputo Ferreira ** Renata Silva de Carvalho *** Vanessa Nolasco Ferreira *** Helange Alice do Carmo Pereira **** Resumo Dentre as diferentes formas de tratamento da obesidade mórbida, a cirurgia bariátrica vem sendo considerada o método de maior efciência. Investigou-se, neste estudo, o Pólo de obesidade do Sistema Único de Saúde da cidade de Juiz de Fora – MG. Procedeu-se à investigação qualitativa pela análise do conteúdo de 20 entrevistas de mulheres submetidas ao procedimento cirúrgico, as quais relataram a sua trajetória antes e após a redução de peso corporal. Observou-se que a fase de maior incidência da obesidade foi na adolescência e fase adulta durante a gestação. As formas mais utilizadas para emagrecer foram dietas e remédios, sendo que a motivação para a realização da cirurgia foi a estética e a saúde. À cirurgia bariátrica foi atribuído o sentido de ‘situação extrema’, sendo a única solução para a obesidade. A obesidade no grupo pesquisado foi resultado do somatório de diversos fatores, sendo os principais: mudanças hormonais na adolescência e na gestação aliada a ingesta hipercalórica, o que evidencia a necessidade de uma equipe multiprofssional. Palavras-chave: Obesidade. Cirurgia Bariátrica. Saúde. * Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Educação Física e Desportos, Laboratório de Estudos do Corpo – LABESC - Juiz de Fora, MG. E-mail: marcelarodriguescastro@hotmail.com ** Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Educação Física e Desportos, Laboratório de Estudos do Corpo – LABESC - Juiz de Fora, MG. *** Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Psicologia, Laboratório de Estudos do Corpo – LABESC - Juiz de Fora, MG. **** Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Educação Física e Desportos - Juiz de Fora, MG. 1 IntRodução De acordo com Organização Mundial da Saúde - OMS (1997), a epidemia da obesidade se espalha por todo o mundo. Conhecida por se tratar de uma doença crônico-degenerativa e complexa, pode ser causada por diferentes fatores como: genéticos, comportamentais e ambientais (ANDRADE, 2006). A OMS (1997) classifca a obesidade pelo índice de massa corporal (IMC), que é calculado pela razão entre o peso corporal em quilogramas e a altura em metros elevada ao quadrado (kg/m 2 ). Assim, são consideradas pessoas com sobrepeso corporal aquelas com IMC maior que 25 Kg/m 2 ; obesas aquelas com esse índice superior a 30 Kg/m 2 ; e obesas mórbidas as que possuem IMC maior que 40 Kg/m 2 . Essa última, frequentemente, vem acompanhada de comorbidades ou morbidades associadas. A obesidade é menos frequente nos países da África e Ásia, sendo nesta última mais presente na população urbana (TARDIDO; FALCÃO, 2006). Nos Estados Unidos da América (EUA), de 40% a 50% dos adultos apresentam IMC maior que 25 Kg/ m 2 , valor de corte de normalidade considerado pela OMS, e 20% a 25% maior que 30 Kg/m 2 (ALMEIDA; FERREIRA, 2005). De acordo com Tardido e Falcão (2006), há um aumento progressivo na prevalência de adultos obesos dos EUA, sendo que, no período de 1976 a 1994, verifcou-se o aumento da obesidade entre homens, na proporção de 12,3% para 19,9%, e entre mulheres, de 16,9% para 24,9%. Na Europa, verifcou-se, em 10 anos, um aumento entre 10% e 40% de obesidade na maioria dos países, dentre os quais se destaca a Inglaterra. Países como Austrália, 811.indd 29 28/07/2010 12:19:33