14º Congreso ISKO España (4º ISKO España-Portugal) (Barcelona, 10 al 11 de Julio de 2019) 1 O PODER DE NOMEAR E AS CLASSIFICAÇÕES NO DOMÍNIO DAS HOMOSSEXUALIDADES MASCULINAS E MODALIDADES ALTERNATIVAS DE SEXUALIDADE NO BRASIL Francisco Arrais Nascimento 1 , Luis Fernando Herbert Massoni 2 , Rafael da Silva Shirakava 3 , Daniel Martinez-Ávila 4 , Fabio Assis Pinho 5 1 orcid.org/0000-0003-4424-8844, Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Marília, São Paulo, Brasil. E-mail: francisco.arrais.nascimento@gmail.com 2 orcid.org/0000-0001-6402-1036, Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: luisfernandomassoni@gmail.com 3 orcid.org/0000-0002-1945-7006, Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Assis, São Paulo, Brasil. E-mail: rafael.2015.shirakava@gmail.com 4 orcid.org/0000-0003-2236-553X, Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Marília, São Paulo, Brasil. E-mail: dmartinezavila@marilia.unesp.br 5 orcid.org/0000-0003-1346-3808, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, Pernambuco, Brasil. E-mail: fabiopinho@ufpe.br Tipo de contribuição: comunicação Palavras-chave: Domínio das Homossexulidades; Classificação; Modalidades Alternativas de Sexualidade; Autonomeação; Autoclassificação. 1 Introdução O conceito de biopolítica proposto por Foucault ancora-se em dois eixos: a anatomopolítica disciplinar do corpo humano e os controles regulatórios da biopolítica da população (Castro, 2011). Eles arraigam-se em um conjunto de “dispositivos” que suscitam a percepção de discursos hegemônicos que regulam e instauram normas, produzem “verdades” e assim prevalecem e são perpetuados (Foucault, 2000). Logo, a sexualidade e a própria construção social do sexo configuram- se como dispositivos disciplinares e biopolíticos que se instauram enquanto técnicas políticas necessárias para o governo das massas, ajustando-as à dinâmica da produção e do consumo em ascensão na sociedade capitalista, onde a vida “[...] só é útil porque é, ao mesmo tempo, sã e dócil, ou seja, medicalizada e disciplinarizada” (Revel, 2006, p. 55-56). Adentrar ao domínio das sexualidades enquanto dispositivo (Foucault, 1988) permite compreendê-las enquanto campo onde o poder disciplinar e a biopolítica entrelaçam-se em uma estratégia de controle simultaneamente individualizante e massificador (Foucault, 1988; 2000). Logo, concebe-se que toda construção, seja de um sujeito ou de uma identidade, envolve certo grau de normatização, cujo efeito é a produção de excluídos (Miskolci, 2009), revelando-se a intenção de criar corpos sexuados e neles inserir a “natural binaridade” (masculino e feminino), onde ancora-se a gênese de uma realidade baseada na negação, consolidando estereótipos que certificam o padrão heteronormativo de masculinidade e/ou feminilidade (Badinter, 1993). No entanto, a sexualidade é o