RBRH – Revista Brasileira de Recursos Hídricos Volume 19 n.2 –Abr/Jun 2014, 41-52 41 Análise da Retenção Hídrica em Telhados Verdes a Partir da Eficiência do Coeficiente de Escoamento Alfredo Akira Ohnuma Jr 1 , Paulino de Almeida Neto 2 , Eduardo Mario Mendiondo 2 akira@uerj.br; paulino.an@gmail.com, emm@sc.usp.br, Recebido: 23/10/11 - revisado: 20/04/12 - aceito: 03/12/13 RESUMO Este trabalho apresenta uma análise comparativa de reservação aplicada em telhados verdes. A proposta de inclu- são em áreas urbanas teve como referência uma avaliação quantitativa do escoamento superficial gerado pela água da chu- va sobre o telhado verde através do monitoramento de até 65 eventos distribuídos entre os meses de junho de 2004 e julho de 2005 - telhado verde protótipo A - e entre setembro de 2006 e março de 2007 — telhado verde protótipo B. A metodologia de cálculo e da estimativa de reservação de água pelo telhado verde considerou como hipótese evapotranspiração nula, devido a velocidade do escoamento para análises de pequenas escalas e intervalo do evento inferior a 1 hora. Os equipamentos utiliza- dos compreendem: duas estações meteorológicas, um linígrafo manual e dois linígrafos automáticos com funções respectiva- mente para medir as precipitações dos eventos e registrar o nível de água a partir de um sensor tipo transdutor de pressão, sensor de temperatura, bateria de longa duração e coletor de dados. Os resultados indicam uma eficiência de até 56% no armazenamento obtido pelo telhado verde em comparação com um telhado do tipo convencional, tendo como característica a capacidade de retardar o escoamento. As recomendações para trabalhos futuros incluem: simulações do telhado verde em áreas maiores, com diferentes inclinações e análise de experimento com aplicação para o aproveitamento da água da chuva proveniente da cobertura verde. Palavras-chave: telhado verde, reservação, monitoramento hidrológico, eficiência. INTRODUÇÃO Em todo o país a urbanização aliada ao i- nexpressível planejamento ambiental na construção de novos loteamentos e periferias tem acarretado diversos sinistros, como: as enchentes observadas em épocas de chuva, o aumento da temperatura em escala mesoclimática, a ocorrência de ilhas de calor urbano, o aumento do efeito estufa e a falta de água em grandes cidades. A preocupação com os aspectos ambientais e a sustentabilidade socioambiental su- gerem o desenvolvimento de novas tecnologias de construção de baixo impacto ambiental. A coberturas ou telhados verdes datam mi- lhares de anos. Historicamente, as estruturas mais famosas são citadas nos Jardins Suspensos da Babi- lônia, considerados uma das sete maravilhas do 1 - Departamento de Engenharia Sanitária e Meio Ambiente - Faculdade de Engenharia/UERJ 2 - Departamento de Hidráulica e Saneamento/Escola de Enge- nharia de São Carlos/USP mundo. Construídas por volta de 500 anos a.C., os telhados estão sobrepostos em feixes de pedra com camadas de lingüetas e de piche grosso, compostos por camadas de solo, plantas e árvores. As mais antigas coberturas verdes conheci- das na América do Norte foram instaladas nos anos de 1930 no Rockefeller Center, em Nova York nos Estados Unidos. Segundo Almeida Neto (2005), estes jardins nas coberturas continuam a florescer hoje após quase 70 anos de serviço. Na Europa, após décadas de prática, os ale- mães melhoraram a técnica do telhado transfor- mando-a em uma fina obra de arte. Cerca de 10% dos telhados alemães são constituídos de vegetação. Entre 1989 e 1999, conforme PennState (2008), as companhias alemãs do setor de coberturas instala- ram mais de 32,5 milhões de m 2 de telhados verdes e esse valor vem aumentando. Entre 1989 e 2002 fo- ram subsidiados como forma de incentivo mais de 5 milhões de euros para a construção de mais de 268 mil metros quadrados de telhados verdes, na cidade de Linz na Áustria (LINZ, 2002). A presença da cobertura vegetal em telha- dos contribui para a redução do volume de água escoada superficialmente para áreas de drenagem.