133 Aglutininas antileptospiras em caninos do município amazônico de Oriximiná-Pará, Brasil Serological survey of leptospirosis in dogs of a city located at the Amazonian region in Brazil Walter Lilenbaum, * Fernanda Rodrigues,** Fabiano Barboza *** Resumo O objetivo do presente estudo foi avaliar a ocorrência de evidências sorológicas de leptospirose entre a população canina de centro urbano localizado na região amazônica, com identificação dos sorotipos prevalentes nesta população, e procurar relacioná-los aos usualmente relacionados à fauna silvestre. Foram examinadas pelo método de soroaglutinação microscó- pica com antígenos vivos (SAM) amostras sanguíneas de 185 caninos de ambos os sexos e idade variável, colhidas randomicamente entre a população do município de Oriximiná, Pará, localizado dentro da região amazônica. Do total de amostras analisadas, 34 (18,4%) mostraram-se reativas, com título mínimo de 1:100. Este valor é bastante próximo ao verificado em outros inquéritos realizados em diversos países. Os sorotipos mais freqüentemente encontrados foram canico/a e icterohaemorrhagiae, além de copenhageni, também pertencente ao sorogrupo lcterohaemorrhagiae. Concluiu-se que a proximidade com o ecossistema amazônico e a possibilidade de contato com animais de fauna silvestre não foram determinantes na epidemiologia da leptospirose canina na cidade de Oriximiná, uma vez que estes reproduziram o ciclo epidemiológico urbano tradicionalmente verificado em outras cidades do Brasil e do mundo. Palavras-chave: leptospirose; caninos; Amazônia. Abstract The purpose of this study conducted in a city of the Amazonian region in Brazil was to evaluate a possible relationship between serotypes usually related to wildlife and those prevalent in the canine population. One hundred eighty tive se rum samples were tested anda total of 34 positiva reactions were observed, corresponding to 18.4% of the samples. The most prevalent reaétibns were to icterohaemorrhagiae (10.3%), copenhageni (4.9%) and canicola (3.2%). We verified that the distribution of serotypés iri that population is very similar to other urban areas in Brazil and other South American countries. We believe that the proximity of wildlife species did not influence significantly the epidemiology of leptospirosis in this urban canine population. Keywords: leptospirosis; dogs; Amazon. Introdução A leptospirose é uma enfermidade de ocorrência mundial que afeta várias espécies de animais domésticos e silvestres. Roedores e particularmente a ratazana ( Rattus norvegicus) representam o mais importante reservatório de leptospiras. No entanto, o cão pode ter grande importância na epidemiologia da doença devido à sua estreita associação com o ambiente e com o homem (Bolin, 1996). Em determinadas regiões, diferentes sorotipos de leptospiras são prevalentes e estão associados a um ou mais hospedeiros de manutenção, ou reservatórios. Esses reservatórios são freqüentemente representados por espécies silvestres e, em algumas vezes, por animais domésticos. O contato com o re- servatório ou com áreas contaminadas com a urina destes ani- mais pode causar infecção em outras espécies (Bolin, 1996). Após a infecção, os animais tornam-se fonte de dissemina- ção de leptospiras através da urina, e mesmo animais assintomáticos podem eliminar leptospiras. Animais domés- .ticos, como o cão e o gado bovino, assim como espécies silvestres, como ouriços, corças, javalis, raposas, esquilos e mesmo sapos já foram identificados como disseminadores de leptospiras. A eliminação de urina por estes animais con- tamina o ambiente, particularmente rios e lagos, que se tor- nam fontes infectantes secundárias, iniciando novas infec- ções no homem e nos animais (André-Fontaine e Ganiere, 1990). . Espécies amplamente distribuídas pelo território brasileiro, como cuícas (Philander opossum), ratos .d'água (Nectomys squamipes), gambás (Didelphis albiventris), tatus (Dasypus novemcinctus) e o quati (Nasua nasua), além de marsupiais e primatas da região já foram identificados çomo portadores *Prol. Adjunto Bacteriologia, Depto. Microbiologia e Parasitologia, UFF- Rua Prol. Hernani Mello, 101, Niterói-RJ, CEP 24210-130, e-mail: mipwalt@vm.ufl.br. •• Acadêmico do Curso de Medicina Veterinária da UFF. ••• Acadêmico do Curso de Medicina Veterinária da UFF. R. bras. Ci. Vet., v. 7, n. 3, p. 133-135, set./dez. 2000 http://dx.doi.org/10.4322/rbcv.2015.198