AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DA EXTRAÇÃO LÍQUIDO- LÍQUIDO NA DESACIDIFICAÇÃO DO ÓLEO DE COCO PARA PRODUÇÃO DE BIODIESEL K. E. N. TOMISHIMA 1 , L. F. TEIXEIRA 1 , T. R. CARVALHO 1 e H. F. De CASTRO 1 1 Escola de Engenharia de Lorena-USP(EEL-USP), Departamento de Engenharia Química E-mail para contato: larissa@dequi.eel.usp.br RESUMO O presente trabalho teve como objetivo estudar a desacidificação do óleo de coco por meio da extração líquido-líquido para a obtenção de matéria-prima adequada para a produção de biodiesel. Foram testadas três amostras de óleo com diferentes níveis de acidez (Amostra I - 19,00; Amostra II - 13,68 e Amostra III - 0,46 mg KOH/g amostra), investigando-se a influência da proporção mássica de óleo:solvente (etanol anidro) (1:1; 1:1,5; 1:2) e da concentração de água no solvente (2%, 4%, 6%) no processo de extração. O desempenho do método foi avaliado a partir de um planejamento experimental (2 2 de face centrada), visando-se maximizar a recuperação mássica de óleo neutro e a remoção de ácidos graxos livres da matéria- prima lipídica em duplo estágio. Os resultados demonstraram elevados valores de recuperação mássica de óleo neutro (72,41; 84,59 e 79,11%) e redução de ácidos graxos livres (71,58; 62,81 e 95,86%), respectivamente para as amostras de óleo I, II e III, comprovando a eficiência da técnica utilizada. 1. INTRODUÇÃO A busca por matérias-primas alternativas para a produção de biodiesel, como por exemplo, óleos vegetais de baixo impacto na cadeia alimentícia, está associada ao custo final do produto, que deverá apresentar competitividade em relação ao diesel mineral. Entretanto, um elevado nível de acidez no óleo bruto interfere negativamente no rendimento do processo, uma vez que a utilização de catalisadores básicos pelo método convencional (transesterificação alcalina) resulta na formação de sabões. Isso dificulta a purificação do produto, tornando imprescindível a redução ou remoção desses ácidos graxos livres oriundos da matéria-prima lipídica (Atadashi et al., 2012). Os óleos comercializados são, em geral, produzidos a partir de refino químico ou físico. O refino químico, o qual emprega geralmente o hidróxido de sódio, como agente químico, ao óleo degomado, não é recomendado para óleos com elevado teor de ácidos graxos livres por proporcionar perdas consideráveis de óleo neutro devido à reação de hidrólise em meio básico e da captura de óleo neutro pela borra resultante, que pode ser composta de até 50% em massa de lipídeos (Bhosle; Sibramanian, 2005). Por outro lado, o refino físico, como por exemplo, a vaporização dos ácidos graxos livres, requer temperaturas muito elevadas e pressões reduzidas para possibilitar a separação dos ácidos graxos dos triglicerídeos por arraste mecânico durante a volatilização, causando prejuízos a qualidade do produto final (Ceriani; Meirelles, 2006). Área temática: Engenharia Ambiental e Tecnologias Limpas 1