425 Advances in Forestry Science Original Article ISSN: 2357-8181 Adv. For. Sci., Cuiabá, v.5, n.3, p.425-430, 2018 Trajetória dos centros de massa da produção brasileira de florestas plantadas entre 1990 e 2012 Bruno Ferraz Martins¹ Eliane Cristina Sampaio de Freitas¹ Adriana Gomez Enriquez¹ Juliana Galvão de Sousa Magalhães¹ Carlos Antônio Alvares Soares Ribeiro¹ João Paulo Oliveira de Freitas¹ ¹ Universidade Federal de Viçosa, Avenida Peter Henry Rolfs, s/n, Campus Universitário, Viçosa-MG, 36570-900. *Author for correspondence: elianesampaiofreitas@hotmail.com Received: April 2018 / Accepted: September 2018 / Published: September 2018 Resumo O Centro de Massa (CM) da produção florestal identifica o ponto de concentração da produção e sua dinâmica espaço- temporal a nível nacional. Através de vetores, mostra a velocidade e o sentido que a produção se desloca, sendo importante para a tomada de decisões logísticas e econômicas no setor Florestal. Este estudo analisou o CM dos três principais produtos provenientes da silvicultura brasileira: madeira em tora, carvão vegetal e lenha, no período de 1990 a 2012. O estudo baseou-se na metodologia de determinação de centróides e centro geométrico, usando a base vectorial contínua, utilizando o software ArcMap ® . As informações de produção anual de cada município foram obtidas do Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA), que apresenta o acervo do Censo de Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura. Os maiores valores de deslocamento da produção dos três produtos foram verificados entre 1995 e 1999. O CM da produção de lenha deslocou-se para a região sul do Brasil, enquanto o centro de massa do carvão vegetal concentrou-se no norte de Minas Gerais e o de madeira em tora em São Paulo. A concentração dos produtos florestais na região sudeste é consequência da desigualdade tecnológica dessa região em relação ao restante do país. Conclui-se que essa metodologia pode ser aplicada com êxito para analisar a produção florestal com o intuito de elaborar estratégias relacionadas ao escoamento e mercado desses produtos, uma vez que permite observar o deslocamento da produção ao longo dos anos e até mesmo prever o sentido de deslocamento futuro. Palavras-chave: Centróide, Produtos florestais, Economia florestal. Abstract Economic center of gravity (ECG) identifies a point in which production is concentrated, and production spatial and temporal dynamics at a national level. This parameter displays production speed and direction through vectors. If applied in the forest sector, economic center of gravity can be a tool to guide logistical and economic decisions. Therefore, this study identifies and analyzes the center of gravity of the three main Brazilian forest products (logs, charcoal and firewood) from 1990 to 2012, using ArcMap®. The annual production information of each municipality was obtained from the IBGE Automatic Recovery System (SIDRA), which presents the collection of the Census of Plant Extraction and Silviculture. Between 1995 and 1999, higher displacement values were observed for the three aforementioned forest products. Wood ECG shifted to the southern region of Brazil, while charcoal ECG concentrated in the north of Minas Gerais state and log ECG in São Paulo state. The ECG methodology can be applied to successfully analyze forest production, being able to observe the displacement of production over the years and even to predict the future direction of it in order to elaborate strategies related to the market of these products. Keywords: Centroid; Forest products; Forest economy. Introdução Com quase 8 milhões de hectares de reflorestamento, sendo um pouco mais de 70 % equivalente ao gênero Eucalyptus, o setor brasileiro de árvores plantadas é responsável por 6,2 % do PIB Industrial no país (IBÁ, 2017). Considerando o crescente desempenho do Brasil na economia mundial e a importância da silvicultura para a economia brasileira, torna-se fundamental compreender a distribuição espaço-temporal da produção desse setor. Compreender as mudanças de deslocamento possibilita alocar os recursos de produção de modo a aproveitar as oportunidades do mercado (Dobbs et al., 2012). A determinação do centro de massa (CM) indica a evolução da distribuição espacial da economia ao longo dos anos. A CM tem sido utilizada em análises da economia mundial como um indicador de desequilíbrio espacial. Esta metodologia analisa o eixo dos locais de concentração da produção florestal e seu deslocamento através de vetores, mostrando a velocidade e o sentido do deslocamento da produção (Holler et al.,2013). Segundo Grether & Mathys (2009), a definição de centro de massa é baseada no conceito da física em que um ponto no espaço representa todo o sistema, quando este é tratado como partícula. Em relação a economia mundial, o domínio da América do Norte e Europa Ocidental está ameaçado frente ao gradual crescimento econômico de países do G20. Sendo assim, espera-se o surgimento de um novo centro de massa na economia mundial (Klein e Salvatore, 2013). O Brasil é um integrante do G20 que, apesar de enfrentar diferentes dificuldades, apresentou um bom desempenho após a crise financeira de 2008. Isto evidenciou a expressividade da política econômica brasileira. Além disso, a participação do setor florestal no comércio mundial progrediu. O Brasil foi o segundo país com maior cobertura florestal do mundo, representando 12 % da área global de florestas plantadas e nativas (FAO, 2015). No caso do centro de massa da produção silvicultural, a “massa” deve ser substituída pela “quantidade anual produzida”, e o metro quadrado deve ser considerado como o “ponto de produção”. Contudo, como os dados anuais da produção silvicultural são divulgados em nível municipal, assume-se que a produção total de um município está concentrada em um único ponto dentro deste município. Nesse caso, o centro de massa é a localização média dos pontos de produção ponderada com os valores de produção de cada ponto. A alocação da produção em pontos é uma das implicações do uso do CM. Outras implicações são citadas por Holler et al. (2013), como por exemplo: 1) a possibilidade de abstrair distorções que surgem quando se representa a superfície da Terra, ou parte dela, numa superfície plana; 2) a possibilidade de mensurar a participação de um ponto na produção total ao observar a distância entre o mesmo e o