Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais - UFJF v.17 n.3 Dezembro. 2022 ISSN 2318-101x (on-line) ISSN 1809-5968 (print) Dossiê Autoetnografias: (In)visibilidades, reflexividades e interações entre “Eus” e “Outros” Autoetnografia, W. E. B. Du Bois e Meu “Fazer Autoetnográfico” – controle, estratégias e um estudo sobre experiências de discriminações numa fast-fashion no Brasil. Silvio Matheus Alves Santos 1 Resumo Com a autoetnografia e os resultados do meu doutorado, desenvolvi as minhas primeiras percepções e re- flexões sobre as questões teórica-metodológicas presentes na sociologia desenvolvida por W. E. B. Du Bois (1868-1963). A partir disso e com a possibilidade de organização do Dossiê Autoetnografias, percebi uma rica oportunidade de apresentar (ainda que preliminarmente) duas ideias que ganharam forças em meus estudos, ensino e pesquisa. A primeira é apresentar o que chamo de “raízes epistemológicas da autoetnografia” – que seria a identificação das bases e/ou características epistêmico-teórico- metodológicas deste método em traba- lhos seminais de Du Bois. E a segunda ideia é demonstrar como construí a minha operacionalização autoet- nográfica ou o que chamo de Meu Fazer Autoetnográfico no trabalho de doutorado. Mesmo sabendo que esta metodologia tem um forte caráter subjetivo, o meu intuito é chamar a atenção para os “processos objetivos” estruturados durante a minha investigação e análises que expressam ainda mais as potencialidades deste re- curso metodológico. Por fim, o caso de Caveira se apresenta tanto como uma forma de desvelar o jogo de narrativas que se fez presente em nossa interação quanto um meio de reafirmar a importância da abordagem interacionista sobre o racismo e a experiência da discriminação. Palavras-chave: Autoetnografia; W. E. B. Du Bois; Fazer Autoetnográfico; Experiências de discriminações. Autoethnography, W. E. B. Du Bois and My “Autoethnographic Doing” – control, strategies and a study on experiences of discrimination in a fast-fashion company in Brazil Abstract: With the autoethnography and the results of my doctoral research, I developed my first insights and reflections on the theoretical-methodological issues present in the sociology developed by W. E. B. Du Bois (1868-1963). From this and with the possibility of organizing the Autoethnographies Dossier, I realized a rich opportunity to present (albeit preliminarily) two ideas that gained strength in my studies, teaching and research. The first step is to present what I call the “epistemological roots of autoethnography” - that would be the identification of the epistemic-theoretical-methodological bases and/or characteristics of this method in seminal works by Du Bois. And the second idea is to demonstrate how I constructed my autoethnographic operationalization or what I call My Autoethnographic Doing in my doctoral work. Even though I know that this methodology has a strong subjective character, my intention is to draw attention to the “objective processes” structured during my research and analysis that further express the potentialities of this methodological resource. Finally, the case of Caveira presents itself both as a way of unveiling the play of narratives that is present in our interaction and as a means of reaffirming the importance of the interactionist approach to racism and the experience of discrimination. Keywords: Autoethnography; W. E. B. Du Bois; Autoethnographic Doing; Experiences of discrimination. Introdução 1 1 Doutor em Sociologia pela USP e atualmente Pesquisador Bolsista CAPES de Pós-Doutorado na Sociologia – IFCH/UNICAMP. Email: sil- vioma@unicamp.br / ORCID: 0000-0002-4110-8064.