Marcelo Lopes de Souza «Involução Metropolitana» e «Desmetropolização»: Sobre a Urbanização Brasileira nas Décadas de 80 e 90 1. Introdução O fenómeno da metropolização, geralmente identificado como um sério problema dos países do Terceiro Mundo, vem merecendo, já há varias décadas e sob diferentes ângulos, a atenção de geógrafos, sociólogos e economistas urbanos, assim como de planejadores. A literatura interna cional acostumou-se, durante muito tempo, a encarar a problemática da urbanização no «Terceiro Mundo» de urna tal forma como se a concen tração de pessoas e potencial económico em poucas cidades fosse um fenómeno permanente. No interior desses marcos analíticos, o cresci mento metropolitano aparecia como um problema grave e urgente, con tinuamente realimentado pelas migrações cidade-campo e pelo cresci mento populacional vegetativo. A metropolização representaria o estágio mais elevado e preocupante da problemática da urbanização, e como tal precisaria ser contida. No que concerne ao Brasil, porém, já se vem, há algum tempo, cons tatando uma realidade diferente da sugerida por esse quadro simplifica- dor. Desde certos trabalhos pioneiros, realizados nos anos 80 (como Redwood III 1984), que defenderam, inspirados pela conhecida teoria de Harry Richardson, a tese de uma «reversão da polarização» na urbaniza ção brasileira já na década de 70, até os estudos de detalhe de diversos pesquisadores brasileiros (com destaque para Martine 1992; Diniz 1993 e 1995; Santos 1993; Cano 1997; Martine/Diniz 1997), a literatura tem re fletido a crescente complexidade do padrão de urbanização no Brasil no O presente texto sintetiza alguns dos resultados preliminares de uma pesquisa ainda em andamento, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), intitulada «Desafios contemporâneos para o desenvolvimento sócio-espacial nas metrópoles brasileiras».