Fernandes, J. A., Martinho, M. H., Tinoco, J., & Viseu, F. (Orgs.) (2013). Atas do XXIV Seminário de Investigação em Educação Matemática. Braga: Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho. XXIV SIEM 155 Conflitos semióticos na resolução de um problema de testes de hipóteses para a proporção por estudantes do ensino superior Gabriela Gonçalves 1 , José António Fernandes 2 , Maria Manuel Nascimento 3 1 Instituto Superior de Engenharia do Porto, gmc@isep.ipp.pt 2 Universidade do Minho, jfernandes@ie.uminho.pt 3 Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, mmsn@utad.pt Resumo. Neste trabalho analisamos as resoluções de 223 alunos da Licenciatura de Engenharia Informática do Instituto Superior de Engenharia do Porto, no letivo 2012-2013, quando confrontados com um problema de testes de hipóteses para a proporção. Tendo por referência teórica o Enfoque Ontosemiótico do conhecimento e do ensino da matemática, estudaram-se os conhecimentos matemáticos implícitos nas respostas a partir dos objetos e processos matemáticos utilizados, enfatizando-se a relação expressão conteúdo das funções semióticas como meio de caracterizar possíveis conflitos semióticos. Em termos de resultados, para além da elevada percentagem de alunos que não responderam ou que apresentaram respostas sem sentido, salienta-se a existência de vários conflitos semióticos associados à formulação das hipóteses, ao cálculo da estatística do teste e à tomada de decisão. Palavras-chave: aprendizagem da Estatística; inferência; testes de hipóteses para a proporção; Enfoque Ontosemiótico; ensino superior. 1. Introdução Nas últimas décadas, o ensino da estatística tem sido integrado, cada vez mais, nas escolas e nas universidades, não só pelo seu caráter instrumental, mas também pela importância que o desenvolvimento do raciocínio estatístico tem numa sociedade caracterizada pela proliferação de informação e a necessidade de tomar decisões em ambientes de incerteza. Em Portugal a Estatística tem vindo a impor-se de forma consistente nos programas escolares, sendo atualmente estudada em todos os níveis de ensino básico e secundário (Fernandes, Carvalho & Correia, 2011; Ministério da Educação, 2007). Os conteúdos estatísticos relativos à inferência têm uma ampla aplicação. Em Portugal, a inferência estatística, embora seja abordada no programa de Matemática Aplicada às Ciências Sociais (DES, 2001), com base em intervalos de confiança, é um tema tratado quase exclusivamente nas unidades curriculares de Estatística das licenciaturas do ensino superior. Por outro lado, é um tema em que os alunos apresentam muitas dificuldades na sua compreensão porque estão em jogo muitos conceitos abstratos e relações, tais como