Contracepção e Planejamento Reprodutivo na Percepção de Usuárias do Sistema Único de Saúde em Pernambuco Ana Paula Portella Maria Sheila Bezerra Verônica Ferreira Maria Betania Ávila Rivaldo M. Albuquerque Há pelo menos quatro décadas o uso de contraceptivos modernos faz parte do cotidiano das brasileiras. Assim como em outros países ocidentais, a disseminação massiva do uso da pílula se dá no Brasil a partir dos anos 60 e, desde então, a regulação da fecundidade se institui como parte da vida reprodutiva da maioria das mulheres. Para o movimento feminista, que também ganha força e se atualiza nesse mesmo período, a defesa do uso informado de métodos anticoncepcionais tem sido uma questão central. A contracepção permite a separação entre a sexualidade e a reprodução e, ao fazê-lo, torna a maternidade uma escolha das mulheres e não mais um destino. Contracepção e liberdade, portanto, são parte de um mesmo processo, em cujo horizonte estão as relações igualitárias entre os sexos e a emancipação das mulheres das relações sociais patriarcais. Para a vivência desta liberdade, porém, há um caminho freqüentemente tortuoso: é preciso ter informações e conhecimentos sobre os métodos e sobre o próprio funcionamento dos processos reprodutivos; é preciso ter acesso aos métodos e saber como usá-los; é necessário ainda saber identifcar os sinais de inter ferência dos métodos sobre a saúde e ter condições de procurar ajuda profssional para resolver esse tipo de problema; é importante também que se tenha a possibilidade de identifcar entre diferentes métodos qual o mais adequado para os diversos momentos da vida e, last but not least, é desejável algum grau de diálogo com os parceiros sobre essas questões. Tantos senões só fazem sentido porque a maior parte dos métodos contraceptivos produzem, em maior ou menor grau, efeitos sobre a saúde e o bem-estar e, por essa mesma razão, podem ter sua efcácia limitada e podem afetar a vida sexual e o cotidiano das mulheres. Mulheres que sentem os efeitos negativos da pílula, por exemplo, tendem a descontinuar o seu uso como uma forma de