a revolução europeia de 1989 O fim da Guerra Fria e a unificação alemã Patrícia Daehnhardt o Fim da Guerra Fria e o Fim da divisão alemã O processo de negociação internacional que antecedeu a unificação alemã e moldou o fim da Guerra Fria foi crucial na construção da futura ordem de segurança pós-Guerra Fria na Europa 1 . Esta nova ordem de segurança foi o resultado da transformação da estrutura de poder, onde a Alemanha emerge como a potência central europeia 2 . Washington esteve na primeira linha dos que apoiaram esta mudança crucial na Europa decidindo com isto o ritmo e a magnitude da dimensão internacional do processo negocial da unificação alemã. A condição prévia para a unificação foi o reforço da continuidade institucional euro-atlântica, que permitiu à Alemanha a permanência nas estruturas da nAtO e da União Europeia (UE) ao mesmo tempo que fortalecia os seus relacionamentos especiais com os Estados Unidos e a França. Consequentemente, enquanto que o fim da Guerra Fria trouxe o fim da bipolaridade e a mudança estrutu- ral pacífica na Europa na ausência de uma guerra hegemónica, a continuidade das instituições existentes como binding institutions assegurava uma transição equilibrada para o mundo do pós-Guerra Fria 3 . Por outras palavras, a fórmula para a mudança e a unificação foi a continuidade da diplomacia multilateralista da Alemanha através das estruturas institucionais das quais ela era membro e a consolidação da ordem liberal constitucional do pós-1945 na nAtO e na UE, instituições que, pouco depois, iniciariam processos de alargamento 4 . Este artigo aborda a política da unificação alemã e levanta a questão de como é que a liderança da República Federal da Alemanha (RFA) conduziu o processo negocial e geriu a recuperação do estatuto de poder da Alemanha. O artigo também analisa o papel decisivo dos Estados Unidos em apoiar a perspectiva de unificação desde o início, o que fortaleceu a determinação do chanceler Helmut Kohl em aproveitar a oportuni- dade, assim como porquê, após forte resistência inicial, a liderança soviética aceitou que a Alemanha unificada permanecesse na nAtO. Por último, o artigo argumenta que as decisões de política externa que o Governo alemão tomou nos meses cruciais antes de Outubro de 1990 foram escolhas que ainda condicionam a política externa alemã relações internacionais setembro : 2009 23 [ pp. 039-051 ] 039