Revista de Administração, São Paulo v.36, n.1, p.25-34, janeiro/março 2001 25 No Brasil, a década de 1980 foi marcada por um processo deno- minado ciranda financeira, no qual as empresas deixavam de in- vestir em suas atividades-fim, não atualizando a tecnologia de produ- ção, para aplicar seus recursos no mercado financeiro. Assim, elas perdiam em competitividade e produtividade. Quando houve a aber- tura comercial da economia brasileira no início dos anos 1990, essas empresas se viram com um parque industrial defasado em relação ao do mercado internacional. A conseqüente entrada de produtos es- trangeiros no País colocou-as em dificuldade, pois não estavam pre- paradas para enfrentar a concorrência, principalmente quanto a pre- ço e qualidade dos produtos. Nesse novo contexto, as empresas brasileiras foram pressionadas a investir de maneira mais firme na modernização da produção (Leite, 1994). O grande desafio para elas nessa década consistiu, então, na consolidação e na renovação de competências, de modo a capacitarem- se a disputar posições nos mercados (Ferraz, Kupfer & Haguenauer, 1995). No entanto, esses investimentos de capital só viabilizarão resulta- dos positivos se a empresa mantiver liquidez adequada, isto é, se ela conseguir subsistir. Dessa forma, a grande preocupação da área de fi- nanças nos anos 1990 se voltou para o estudo da administração do capital de giro, haja vista a importância da liquidez para a sobrevivência da empresa. O segmento têxtil da indústria nacional foi um entre os mais afeta- dos pelo processo de abertura comercial. As alíquotas de importação de vários produtos foram amplamente reduzidas, causando nesse se- tor diversos impactos, sobretudo negativos. Conforme dados da re- vista Conjuntura Econômica (edição Maiores e Melhores, 1997), en- quanto a produção de bens de consumo industriais cresceu em média 3,6% ao ano entre 1990 e 1996, a do setor têxtil decresceu 1,7%. Pode-se entender esse resultado quando se tem em vista que o último grande surto de investimentos no ramo têxtil brasileiro ocor- reu no final dos anos 1970. Logo, com essa ausência de moderniza- ção, essa indústria se apresentava no início da década de 1990 com elevado grau de obsolescência em todos os seus segmentos produti- Perfil econômico-financeiro do setor têxtil brasileiro: análise da liquidez no período de 1996 a 1998 Laíse Ferraz Correia Laíse Ferraz Correia, Bacharel em Administração, é Mestranda no Centro de Pós-Graduação e Pesquisas em Administração (CEPEAD) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). E-mail: ferraz@face.ufmg.br Recebido em novembro/1999 2ª versão em maio/2000