103 ONÇA-PINTADA E DANÇA DA CHUVA: APROPRIAÇÕES POÉTICAS NO FILME EXISTO, DE CAO GUIMARÃES Maria Cristina Mendes 1 Resumo: Novas poéticas artísticas podem ser analisadas a partir de recursos tecnológicos adotados por cineastas contemporâneos. Cao Guimarães realiza o filme ExIsto (2010), uma adaptação do romance Catatau, publicado em 1975 por Paulo Leminski. A hipotética vinda de Descartes ao Brasil com a comitiva de Nassau no século XVII é estruturada, na adaptação cinematográfica, em imagens que remetem aos estilos do Renascimento e do Barroco. A desconstrução da lógica cartesiana, mote de ambas as narrativas, destaca uma espécie de estilo neoBarroco, despertando reflexões acerca da produção de filmes de arte na contemporaneidade, quando a definição de categorias é mais complexa. “Onça- pintada” e “dança de chuva” são os trechos analisados: o primeiro enfatiza a opacidade da fruição estética (XAVIER), homenageando a montagem cinematográfica; o segundo realiza abstrações imagéticas em consonância com o legado das pesquisas artísticas que envolvem a tecnologia (GUIMARÃES e BELLOUR). Ao propiciar novas formas de estar no mundo, a arte promove o trânsito entre estranhamento e percepção sensível. Palavras-chave: Poéticas artísticas. Adaptação cinematográfca. Arte contemporânea. ExIsto. Cao Guimarães. 1 Doutora e Mestre em Comunicação e Linguagens (UTP); Especialista em História da Arte do Século XX e Bacharel em Pintura (EMBAP). Professora do curso de Artes Visuais da Universidade Estadual do Paraná (UEPG), onde desenvolve pesquisa sobre poéticas artísticas. Participa do Grupo de Pesquisa Interart (UEPG/ CNPq) e Educação, Trabalho e Cultura (UTP/CNPq). Email: mariacristinamendes1@gmail.com