61 RFO, v. 12, n. 1, p. 61-64, janeiro/abril 2007 Embora pouco freqüente, o carcinoma mucoepider- mide constitui a mais comum neoplasia maligna de glndula salivar, acometendo tanto glndulas maiores quanto menores. O presente trabalho objetivou valori- zar a importncia do cirurgiªo-dentista no diagnstico precoce desta lesªo, embasado no caso clnico de pa- ciente do sexo feminino, melanoderma, com 42 anos de idade, que se apresentou consulta com queixa de lesªo nodular no palato, relacionando seu aparecimento com exodontia prxima Ærea, realizada um ano antes. O exame fsico evidenciou ndulo superficial de limites ntidos, com aproximadamente 2,5 cm de dimetro, no palato duro, na regiªo de primeiro molar esquerdo au- sente. Radiograficamente, nªo se notou alteraªo ssea na Ærea. Foi realizada bipsia incisional, definindo-se o diagnstico pela microscopia de luz. A paciente foi entªo encaminhada a servio de oncologia, que optou pela terapŒutica cirœrgica. No controle ps-operatrio de dois anos, observou-se que a paciente se encontrava em boas condiıes de saœde, sem evidŒncias de recidiva ou novo tumor primÆrio. Dessa forma, concluiu-se que o tratamento cirœrgico mostrou-se eficaz na resoluªo do caso de carcinoma mucoepidermide ora apresentado. Palavras-chave: Carcinoma mucoepidermide. Diag- nstico. Neoplasias das glndulas salivares. Neoplasias bucais. * Mestre em Estomatologia pela Faculdade de Odontologia de Araatuba - Unesp. ** Doutora em Estomatologia pela Faculdade de Odontologia de Araatuba - Unesp. *** Professores do Departamento de Patologia e PropedŒutica Clnica da Faculdade de Odontologia de Araatuba - Unesp. Carcinoma mucoepidermide de palato descriªo de um caso clnico Mucoepidermoid carcinoma of the palate a case report Ellen Greves Giovanini * Luciana Estevam Simonato* Eni Vaz Franco Lima de Castro** Ana Maria Pires Soubhia*** Alvimar Lima de Castro*** Introduªo Dentre as neoplasias malignas de glndulas salivares, o carcinoma mucoepidermide Ø a mais comum, podendo ocorrer tanto em glndulas saliva- res maiores quanto em menores 1-2 . Quando acomete glndulas salivares maiores, o stio mais comum Ø a partida; em glndulas menores, o palato Ø o local de maior incidŒncia 3 . HÆ discreta predileªo pelo sexo feminino e pela cor branca 4 , e a incidŒncia Ø maior entre a segunda e a oitava dØcadas de vida. Provavelmente, o carcinoma mucoepidermide origina-se por metaplasia das cØlulas mucosas e ba- sais dos ductos das glndulas salivares, sendo consi- derado por alguns autores como o tumor maligno de glndula salivar que mais acomete pacientes jovens, inclusive crianas 5 . Linfadenopatia regional nªo Ø comum e, clinicamente, as lesıes sªo nodulares, tŒm evoluªo lenta, sªo consistentes, fixas e apresentam aumento volumØtrico geralmente assintomÆtico, de tamanhos variÆveis, o qual pode ulcerar 6 . A coloraªo azulada ou pœrpura da lesªo Ø atribuda, em parte, aos espaos csticos que podem conter sangue, pro- dutos necrticos ou ectasias vasculares, apresentan- do semelhanas com o adenoma pelomrfico. Ainda, em razªo de poder apresentar material mucide em seu interior, o carcinoma mucoepidermide pode ser confundido clinicamente com mucocele profundo. Histologicamente, o carcinoma mucoepidermide Ø composto por uma mistura de cØlulas produtoras de muco e cØlulas epidermides ou escamosas, cuja gra- daªo histolgica determina o grau de malignidade da lesªo 7 . Classifica-se a neoplasia como sendo de baixo