Este é um artigo de acesso aberto, licenciado por Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0), sendo permitidas reprodução, adaptação e distribuição desde que o autor e a fonte originais sejam creditados. Educação Unisinos 24 (2020) ISSN 2177-6210 Unisinos - doi: 1043/edu.2020.241.49 Gestão das (próprias) carreiras: o governamento do humano como capital Managing (our own) careers: the government of the human as capital Maurício dos Santos Ferreira 1 Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) msferreira@unisinos.br Clarice Salete Traversini 2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) clarice.traversini@ufrgs.br Resumo: O objetivo é problematizar os discursos que circularam no jornal Zero Hora entre 2008-2019 em torno da noção de gestão de carreira. Para tanto, retomamos nossa pesquisa concluída há dez anos e buscamos atualizá-la por meio da análise do material empírico recente. A análise foucaultiana de discurso serviu-nos de ferramenta teórico-metodológica. Dialogamos, também, com Lazzarato e Sennett acerca do mundo do trabalho. Destacamos algumas recorrências: a) a “racionalidade interna” do sujeito torna-se o ponto de partida para o planejamento da carreira, pois as aptidões figuram como capital; b) o network torna-se um investimento, um empreendimento, a ser requerido pelas atividades laborais. Em síntese, a “relação educação-trabalho” está menos focada na conquista de um “emprego para toda a vida” e mais orientada à constituição de um trabalhador flexível, competitivo e vulnerável. Palavras-chave: Análise de discurso; carreiras profissionais; capital humano. 1 Doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Coordenador do curso de Licenciatura em Pedagogia e professor no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). 2 Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professora no Programa de Pós- graduação em Educação da UFRGS.