Acta Pediatr. Port., 2002; N." 2; Vol. 33: 93-8 Bronquiolite Aguda: Actualização de Conceitos Terapêuticos e Profilácticos MARGARIDA PEQUIT0 1, ANA SOFIA BRANCO', LUÍSA PEREIRA', CELESTE BARRETO' LUÍS LITO 2, TERESA BANDEIRA' ' Unidade de Pneumologia Clínica Universitária de Pediatria 2 Serviço de Bacteriologia Hospital de Santa Maria — Lisboa Resumo A bronquiolite aguda é frequente abaixo dos 2 anos de idade. Apesar da inexistência de vacinação ou de terapêuticas específicas com comprovada eficácia, novas formas de profilaxia surgiram nos últimos anos cuja prescrição deverá ser baseada em dados epide- miológicos e conhecimento de grupos de risco. Com o objectivo de avaliar grupos de risco e agentes respon- sáveis por bronquiolite com necessidade de internamento e comparar a terapêutica efectuada com as actuais recomendações da literatura, efectuámos estudo retrospectivo dos processos clínicos de interna- mento por bronquiolite na Unidade de Pneumologia da Clínica Universitária de Pediatria do Hospital de Santa Maria, nos últimos 3 anos nos períodos de Outubro a Março de cada ano, num total de 264. Cinquenta (19,3%) crianças eram prematuras e igual número tinha baixo peso ao nascer. Relativamente à terapêutica: em 263 (99,6%) crianças foram prescritos broncodilatadores; em 153 (58%) antibióticos e em 90 (36,7%) corticoides sistémicos. Duzentas e uma (76,1%) crianças necessitaram de oxigenoterapia, tendo sido venti- ladas 16 (6%). Identificou-se agente etiológico em 173 processos: virus em 126 (vírus sincicial respiratório — 107; Influenza A — 13; Influenza B — 7; Parainfluenza — 2; Adenovírus — 2) e bactérias em 99 (a maioria em associação com agentes virais). A identificação de prematuridade e baixo peso ao nascer como grupos de risco e a predominância da etiologia virai, sublinham a necessidade de utilização de medidas profiláticas capazes; a tendên- cia para a prescrição de fármacos sem eficácia comprovada apontam para a necessidade de elaborar recomendações para o tratamento de bronquiolite aguda a nível Nacional. Palavras-Chave: Bronquiolite, vírus sincicial respiratório, terapêutica. Correspondência: Teresa Bandeira Unidade de Pneumologia Clínica Universitária de Pediatria Hospital de Santa Maria, Lisboa Teresa.Bandeira@hsm.min-saude.pt Aceite para publicação em 19/02/2002. Entregue para publicação em 21/01/2002. Summary Acute Bronchiolitis: Present Therapeutic and Prophylactic Concepts Acute bronchiolitis frequently occurs during the first two years of life. Although no vaccine or specific therapy exists, some prophylactic measures have appeared in the last years for which prescribing must take into account epidemiological data and risk factors. By means of a retrospective study of clinical files, our aim was to identify high risk factors and pathogens in patients admitted for bronchiolitis to the Respiratory Unit of the Paediatric Department of Hospital de Santa Maria and compare treatment strategies with that in the literature, over the last 3 years, for the period between October and March each year. We reviewed 264 files: fifty (19,3%) children were premature and 50 (19,3%) had low birth weight. Two hundred and sixty three (99,6%) children were treated with bronchodilators; 153 (58%) with antibiotics and 99 (36,7%) with systemic corticosteroids. Two hundred and one (76,1%) children received oxygen and 16 (6%) were ventilated. A pathogen was identified in 173 files (76,5% success rate): virus in 126 (Respiratory Syncytial Virus-107; Influenza A-13; Influenza B-7; Parainfluenza-2; Adenovirus-2) and bacteria in 99 (most with a concomitant virai agent). The identification of prematurity and low birth weight as risk factors along with the predominance of RSV aetiology points to the need to institute prophylactic measures; the practice of prescribing outdated therapies indicates the necessity to establish clear National guidelines for the treatment of bronchiolitis. Key-Words: Bronchiolitis; Respiratory Syncytial Virus; therapy. Introdução As infecções respiratórias agudas do aparelho respi- ratório inferior são uma das principais causas de interna- mento nos primeiros anos de vida (1), têm custos econó- micos consideráveis, e são responsáveis por cerca de 4